29 de março de 2018

EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA

Estimados irmãos e irmãs. A graça e a misericórdia de Deus estejam com todos nós. O amor de Deus nos envolve na totalidade e nos faz compreender melhor a dimensão do sacrifício que Ele fez pela nossa Salvação. Vamos mergulhar no silêncio contemplativo destes dias.

Vamos olhar para a riqueza do Tríduo Pascal o qual nos remete e introduz no mistério salvífico. Podemos entender a ressurreição de Jesus olhando para a sua vida e para a cruz. Papa Francisco sabiamente nos disse: “Quem foge da Cruz foge da Ressurreição” (28/03/2018). Logicamente falando, só ressuscita quem morre. Então não podemos negar a Cruz de Cristo e não podemos fugir da cruz que temos que carregar. Precisamos pedir forças a Deus e muita sabedoria para não desanimar e nem murmurar.

Na quinta-feira Santa celebramos na missa da Ceia do Senhor a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, pois eles estão intimamente ligados e o sacerdócio sacramental existe em função da Eucaristia. Jesus quis encontrar uma forma visível de permanecer na sua Igreja. Encontrou-a no alimento de cada dia, o PÃO. Assim podemos ver, comungar, adorar, contemplar a presença de Jesus. Grande deve ser sempre a nossa alegria em poder receber Jesus na Eucaristia.

A Eucaristia nos remete ao serviço. Jesus quando ainda estava à mesa com os apóstolos, depois que instituiu a Eucaristia, lavou os pés dos que estavam aí. Pedro não compreende e reage ao gesto de Jesus. Judas, mesmo sendo o traidor, tem os pés lavados pelo Mestre. O Senhor nos ensina que todos os seus seguidores, cristãos, devem imitar seus gestos e sem fazer distinção de pessoas. Jesus poderia ter pensado ou até falado: ‘como Judas vai me trair, não vou lavar os pés dele’. Deus não pensa assim. Ele quer que todos sejam salvos e derrama bênçãos sobre todos indistintamente. Cabe a cada um acolher estas bênçãos na vida e deixa-las frutificar.

Ao final Jesus pergunta se eles tinham compreendido o que Ele acabava de fazer. Muitos certamente não, assim como nós não compreendemos ainda hoje. Ele continua dizendo que se ele Mestre e Senhor fez isso, nós também devemos fazer. Fica o compromisso para todos nós.

Ao final desta missa não realizamos a bênção tradicional porque a celebração continua na sexta-feira Santa e terminará no Sábado com a solene proclamação da Páscoa. Por isso somos convidados ao silêncio e a contemplação. Silêncio porque o Filho de Deus está no silêncio; Silêncio porque o mundo tenta calar a voz de Deus que denuncia, fala, ensina. Só quem silencia é capaz de entender o amor.

Neste dia em que narramos a Paixão do Senhor, Adoramos sua Cruz com amor e reverência, também rezamos por toda a humanidade e suas necessidades. O amor de Deus é por todos e para todos. Ele quer que todos sejam salvos. A Igreja reza por isso e clama sua misericórdia.

Ainda continuamos em silêncio e na expectativa do que acontecerá. Para os discípulos este dia foi de dor e reflexão. Eles se perguntavam: o que será agora? Hoje sabemos que celebraremos a Páscoa, mas para eles isso ainda não estava muito claro. Alguns inclusive desistem e tristes querem voltar para o que eram e faziam antes.

Jesus, cumprindo a sua promessa, ressurge das trevas, da morte. Mostra a sua vitória. É glorificado pelo Pai pela sua humilde obediência. Não entra na dinâmica daqueles que queriam espetáculo porque o projeto era outro e Ele veio para cumprir fielmente os projetos do Pai. Na alegria e surpresa da ressurreição, Ele vai envolvendo os discípulos que imbuídos do Espírito Santo tornam-se grandes missionários. Eles testemunharam a Cruz e agora podem testemunhar a ressurreição. Esta alegria é tão grande que eles não tem mais medo da cruz.

Assim na Vigília Pascal, abençoamos o fogo novo. Jesus é essa luz que nos ilumina. Com ele caminhamos iluminados. Abençoamos e acendemos o Círio como sinal visível da ressurreição e do ressuscitado. Caminhamos guiados por ele e assim podemos solenemente proclamar a Páscoa, a vitória de Cristo. Escutamos na Liturgia da Palavra tudo o que Deus fez na história e que culmina na pessoa de Jesus Cristo. Foram séculos de caminhada e manifestando o amor. Abençoamos a água que será usada para o Batismo. Renovamos nossas promessas batismais indo até a pia batismal ou com a aspersão. Pela água do Batismo fomos salvos e nos tornamos filhos de Deus para sempre.

A Páscoa é a maior de todas as festas cristãs porque foi por ela que nos foi garantida para sempre a salvação. O Papa Francisco nos recordou em sua Catequese semanal que “a Páscoa é a festa da nossa salvação, a festa do amor de Deus por nós, a festa, a celebração da sua morte e ressurreição” (28/03/2018).

Com tudo isso poderemos, assim como as discípulas de Cristo, suas amigas e irmãs de caminhada, testemunhar que o túmulo está vazio e proclamar que Ele não está mais sob o domínio dos homens, mas que ressuscitou. Elas o viram e tomadas de alegria renovada, correm para anunciar esta grande novidade. Muitos inicialmente não acreditaram porque até então isso não tinha acontecido. Mas depois vão lembrando tudo o que Jesus falou e encontram significado nas suas Palavras. O que Ele proclamou, está se cumprindo. Assim creem e se deixam envolver por esta alegria. Por uma mulher o Salvador se encarnou. Pela boca das mulheres, Ele foi anunciado como ressurreto!

Assim, amados irmãos e irmãs, podemos também nós proclamar a alegria da ressurreição. Vamos com Jesus e Ele nos conduzirá para a vida, para a vitória final.

Abençoado Tríduo Pascal.

Saudações
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência