9 de março de 2018

É NECESSÁRIO QUE O FILHO DO HOMEM SEJA LEVANTADO

Estimados irmãos e irmãs. Quarto Domingo da Quaresma e a nossa expectativa com o Páscoa aumenta, pois esta grande solenidade que nos inspira, ilumina, sacia está se aproximando. Como centralidade de nossa fé, precisamos estar bem preparados para vive-la com o coração aberto para que a graça de Deus preencha todo o nosso ser. A luz do ressuscitado resplandece sobre toda a humanidade que prefere as trevas do pecado, da ignorância, da solidão. 

Vamos olhar para esta belíssima Palavra que nos é oferecida nesse Domingo, iniciando logo pelo santo Evangelho (Jo 3,14-21).

Jesus está em diálogo com Nicodemos que o procura à noite e quer escutar o Mestre. O caminho que ele faz ao encontro do Mestre é o caminho que todos nós fazemos em nosso processo de conversão. Partir das trevas (noite) para a luz (que é Jesus). Ele toma a iniciativa e vai ao encontro da vida. Este caminho todos nós precisamos fazer diariamente, ou quando estamos longe dos caminhos do Senhor.

Em seu discurso Jesus diz que o Filho do Homem precisa ser levantado, assim como a serpente fora no deserto e quem nele crer terá a vida. Jesus ao ser levantado nos faz olhar para cima, para o céu. É de lá que nos vem todas as graças e bênçãos. É preciso olhar para a Cruz, contemplar a Cruz, pois ela não é um sinal qualquer, mas sinal no amor de Deus pela humanidade. Contemplar o rosto sofrido de Jesus para sermos fortalecidos diante dos desafios que precisamos enfrentar e não desanimar. A cruz nos ensina a sermos fortes e a perseverarmos.

Da Cruz de Cristo podemos aprender muitas coisas ainda. Nos seus braços pregados, porém estendidos, Deus abraço o mundo inteiro, não só um povo. Jesus entrega sua vida na Cruz pela salvação de todos. Sua entrega é de braços abertos nas mãos do Pai que tudo conduz para o maior bem.

Vem a mente a canção Dois Riscos do Padre Zezinho. Ela nos faz refletir a dinâmica da cruz redentora de Cristo. As vezes queremos um Cristo sem a Cruz. Mas isso não é possível. A dinâmica redentora e da ressurreição, passa obrigatoriamente pela Cruz. Acompanhemos a canção e reflitamos com ela:

Feita de dois riscos é a minha cruz 
Sem esses dois riscos não se tem Jesus 
Um é vertical, o outro horizontal 
O vertical eleva, o horizontal abraça 
Feita de dois riscos é a minha cruz 
Sem esses dois riscos não se tem Jesus 

Feita de dois riscos é a minha fé 
Sem esses dois riscos religião não é 
Um é vertical, o outro horizontal 
Um vai buscar na fonte 
O outro é o aqueduto 
Feita de dois riscos é a minha fé 
Sem esses dois riscos religião não é 

Feita de dois riscos é o meu caminhar 
Sem esses dois riscos posso não chegar 
Um é vertical, o outro horizontal 
O vertical medita, o horizontal agita 
Feita de dois riscos é o meu caminhar 
Sem esses dois riscos posso não chegar 

Jesus continua: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Muitos ainda tem a visão de Deus como aquele que castiga, pune, condena, joga no inferno. Sendo isso verdade, então o discurso de Jesus não teria sentido. Ao enviar Jesus, antes dele os profetas, depois tantos santos e santas, Deus tem como meta salvar todos os seus filhos e filhas. Ele não se alegra com a condenação dos seus filhos. E faz isso por amor, porque nos ama acima de qualquer coisa, pois nos fez a sua imagem e semelhança.

O diálogo, ou melhor, a exposição de Jesus ao sedento discípulo, termina com o gesto inicial por ele feito (que não está neste trecho). Aqueles que fazem o bem, que buscam a verdade se aproximam da luz, que é Jesus. Hoje todos nós, a exemplo de Nicodemos, precisamos ir encontro desta luz verdadeira que ilumina nossa vida, nossas escolhas. Essa luz que vence as trevas e nos faz ver as coisas como de fato são. Não podemos ter medo do mundo. Ele nos amedronta, mas em Cristo, luz da luz, todos os que creem, são vencedores.

Abençoada caminha rumo a Páscoa!

Saudações!
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência