18 de janeiro de 2018

O TEMPO JÁ SE COMPLETOU E O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO

Queridos irmãos e irmãs. Estamos no Terceiro Domingo do Tempo Comum. Neste ano B a Igreja nos convida a refletiremos sobre temáticas diversas iluminadas pelos ensinamentos de Jesus narradas pelo evangelista Marcos. Lembrando que o Evangelho de São Marcos foi o primeiro dos evangelhos a ser escrito. Sendo Roma o lugar e por volta do ano 64 d. C. Então temos como pano de fundo um cenário diferente dos lugares por onde Jesus passou, mesmo que Marcos tenha passado por lá. Importante também é estarmos atentos as datas em que os textos sagrados foram escritos. Este, por exemplo, o primeiro dos Evangelhos foi registrado pelo menos 30 anos depois da morte e ressurreição de Jesus.

Antes de fazermos nossa reflexão deste 3º Domingo do Tempo Comum, vale trazer alguns elementos do evangelista que vamos falar tanto ao longo deste ano. Elementos que sempre precisam ser considerados para uma leitura adequada do texto e não ficarmos apegados aos fatos, mas no sentido e significado deles, pois este é o objetivo de um autor sagrado quando os narra. Muitos dos acontecimentos são ilustrativos ou tem elementos simbólicos embutidos para enriquecer os ensinamentos a comunidade.

O Evangelho de São Marcos especialmente “dirigido aos pagãos convertidos ao cristianismo, é uma resposta para a comunidade que está em crise, por causa da perseguição do Império Romano aos cristãos de Roma. Na abertura de seu Evangelho ele apresenta Jesus Cristo como o Salvador em contraposição a Cesar, Imperador Romano, que se considerava deus. O culto ao Imperador era muito difundido nos santuários de Roma e os cristãos eram obrigados a estas práticas. Preocupa-se Marcos em apresentar Jesus, a partir da crise que vive a comunidade, com os seus ensinamentos, suas Parábolas, milagres, Paixão e ressurreição que ajudam a comunidade a criar condições, vencer os desafios e conquistar novos membros”.¹

Sofrendo nas mãos dos Romanos, os cristãos desta comunidade acreditavam que Jesus voltaria logo como rei triunfante e os libertaria das mãos dos Romanos. Inclusive São Paulo, que conheceu bem Marcos, chegou a pensar nisso muitas vezes escrevendo em suas cartas sobre a volta de Jesus. Frente a isso, a grande questão que Marcos quer enfatizar é que Jesus é o Messias e Filho de Deus. Esta temática vai permear toda a reflexão e os relatos de milagres visam responder ou afirmar esta questão.

Iluminados por esta brevíssima introdução, vamos ao trecho do Evangelho deste Domingo (Mc 1,14-20). Nele está a primeira fala de Jesus que nos remete justamente ao pano de fundo que vimos acima: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” Junto com este convite, iniciando a sua missão, Jesus chama alguns para que pudessem colaborar com ele. Assim temos o chamado dos primeiros discípulos: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.

Um outro elemento que já vale destacar e observar para nossa reflexão é a disponibilidade imediata dos que foram chamados. Marcos faz questão de frisar que “eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus”. Ao convite do Mestre não podemos ficar parados e o seu apelo é urgente. Ele precisa de pessoas totalmente despojadas e disponíveis. Esta atitude e mensagem nos questionam quanto a disponibilidade que temos em servir o Mestre. Quantas comunidades e Paróquias estão morrendo por falta de discípulos que se dispõe em servir.

O convite a conversão que Jesus faz, já o vemos presente lá no livro de Jonas (1ª Leitura: Jonas 4,1-5.10), mostrando que este convite sempre precisará ser refeito. Necessitamos ser lembrados deste compromisso que temos com Deus. Aqueles que se acham o suficientemente bons e convertidos são os mais necessitados da misericórdia de Deus. Por todo o percurso da nossa vida precisaremos dar passos rumo ao Mestre, pois nunca seremos o suficientemente santos e bons.

Vamos colocar algumas curiosidades sobre o livro de Jonas que nos farão entender melhor a mensagem do autor. Estas informações foram tiradas da nova Bíblia Pastoral na introdução ao livro. “É possível que este livro tenha sido escrito no final do império persa, entre 400 e 350 a. C. Surgiu, provavelmente, entre os sábios de Israel comprometidos com a fé e a vida do povo. Apresenta Javé compadecendo-se dos estrangeiros, numa crítica à corrente judaica oficial na época de Neemias e Esdras”.

Com isso o autor quer mostrar que Deus também quer salvar os que não faziam parte do povo judeu. Ele compadeceu-se dos estrangeiros e envia Jonas para dirigir a estes um apelo de conversão. Para ilustrar que eles aceitaram o apelo de Deus feito pelo profeta, o autor diz que os habitantes de Nínive se convertem aceitando fazer jejuns e vestir sacos desde o “superior ao inferior”. O trabalho missionário que levaria três dias, bastou um só para que o povo se convertesse.

Autores que estudam a muito tempo livros como este, dizem que é improvável que de fato todos tenham se convertido e que a mensagem tenha sido aceita tão facilmente. Ainda mais porque Jonas estava em território estrangeiro. Mas o que ele quer ressaltar e que para nós tem maior importância é o fato de que a mensagem de Deus foi aceita por um povo que não pertencia ao povo escolhido, judeus, e estes mudam de vida.

Assim continua acontecendo ainda hoje desde o tempo de Jesus. Muitos povos aceitaram o Evangelho e Cristo como Salvador. Graças a isso esta mensagem chegou até nós. Hoje existem muitas ‘Nínives’ que precisam ser evangelizadas. Cabe a nós, discípulos de Cristo, convidá-las a conversão. Você aceita esta proposta? Cristo pode contar contigo? O que tens feito para que o Evangelho chegue a mais pessoas e as leve a conversão?

Que o Senhor nos inspire sempre bons propósitos e sua Palavra esteja em nossa mente, em nosso coração e em nossos lábios.

Abençoada semana!

Saudações

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.


¹ Odalberto Domingos Casonatto - http://www.abiblia.org/ver.php?id=6796