28 de dezembro de 2017

FAMÍLIA DE NAZARÉ, ABENÇOE NOSSAS FAMÍLIAS

Estimados irmãos e irmãs. Estamos na oitava do Natal, tempo de celebração deste grande acontecimento na história da humanidade. Inserida dentro deste período, celebramos neste último Domingo de 2017, a festa da Sagrada Família. Uma oportunidade para refletirmos sobre a missão das famílias e como a nossa família está vivendo este compromisso de amor e fé.

Vale recordar que a família de Nazaré, apesar de ser santa, pois acolheu o Filho de Deus; Maria é a cheia de graça e José, o homem justo escolhido para cuidar desta família, enfrenta as intempéries do seu tempo. Basta olhar para os Evangelhos que veremos isso bem claro.

Durante a gravidez, Maria e José tiveram que ir até Belém para fazer o recenseamento decretado por César Augusto. Quando estavam lá, completou-se o tempo e nasceu Jesus. Eles estavam longe de casa. Além disso, não encontraram outra casa que os acolhesse. O Filho de Deus nasceu num lugar simples, pobre. Eles não reclamaram e não murmuraram por causa disso.

Logo depois do nascimento, como a notícia de que teria nascido um rei estava se espalhando rapidamente, Herodes sente-se incomodado e ameaçado. Com isso manda matar todas as crianças até dois anos com a intenção de atingir o menino Jesus. Mais uma vez a família de Nazaré tem que fugir. José foi avisado em sonho e com Maria e recém-nascido, vai para o Egito.

Irmãos e irmãs. Tudo o que a Sagrada Família passa, continua se repetindo. Hoje, vivemos um movimento forte de migração. É um fenômeno que vem se expandindo mundialmente. Certamente ninguém abandona sua casa, sua família, sua terra porque gosta ou porque está bem. Situações dramáticas levam as pessoas a fazerem isso. Muitas famílias são forçadas a deixar tudo para tentar sobreviver em outro lugar. Deixar tudo e ir a um lugar estranho sem saber o que lá os espera deve ser muito difícil. Não poder garantir alimento, casa, vestuário para seus filhos deve doer muito nos corações dos pais.

Assim como a família de Nazaré foi provada, muitas continuam sendo provadas ainda hoje. Isso tudo é provocado por aqueles que ainda não acolheram Jesus em seu coração. O Senhor continua sendo rejeitado, expulso, maltratado em todos estes que sofrem.

Esta liturgia é um grande convite para olharmos com amor para a Sagrada Família e aprender dela a sermos mais fraternos, simples, solidários. Assim como Simeão e Ana fazem (Evangelho Lc 2,22-40), precisamos fazer nós: tomar Jesus em nossos braços; acolhê-lo em nosso coração; contemplar a Salvação que Deus nos envia; fazer-nos solidários com nossos irmãos e irmãs.

A Leitura do Livro do Eclesiástico (3,3-7.14-17a) deste Domingo nos traz muitos ensinamentos e recomendações que continuam válidas para a vivência em nossas famílias. Por isso, é bom recordá-las e ver como estamos vivenciando estes valores e recomendações da Palavra de Deus: “Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração quotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida, a caridade feita a teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação”.

Quantos elementos que precisam ser retomados nos dias atuais. Muitas famílias estão machucadas pela falta de perdão, amor, diálogo, compreensão, fraternidade. É urgente retomarmos a reflexão do papel da família na sociedade, na Igreja e para a educação dos filhos.

Não podemos deixar que a mídia continue degradando nossas famílias, pois elas são um lugar sagrado, onde a vida deve ser promovida em todas as etapas e dimensões. Não podemos deixar que nossos impulsos e desejos, muitas vezes contaminados por coisas errôneas, nos façam insensíveis e indiferentes.

Louvemos ao Senhor porque tem muitas famílias seriamente comprometidas com os valores evangélicos. Não se deixam levar pelas grandes mídias e se mantem firmes nos propósitos e compromissos de educar os filhos na retidão. Muitos ainda acreditam na santidade e buscam vivencia-la na cotidianidade. Estas são a luz que ainda brilha no mundo e precisam ser imitadas.

Sagrada Família de Nazaré, abençoe nossas famílias. Que o Espírito Santo desperte em nós a consciência reta da missão que Ele nos confia.

Abençoado Domingo!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência