14 de setembro de 2017

QUANTAS VEZES DEVO PERDOAR

Estimados irmãos e irmãs em Cristo. O Senhor nos concede a graça de mais uma vez nos aproximarmos da santa Eucaristia, presença real em nosso meio, e assim celebrarmos juntos, em comunidade, os mistérios da nossa Redenção.

Estamos no mês da Bíblia. É na Palavra de Deus que somos formados. Ela sempre nos orienta como devemos viver. Quais pensamentos e sentimos convém a nós. Ela nos mostra ainda por onde devemos andar. É uma Palavra que liberta, cura, salva, sacia, provoca, transforma.

A liturgia deste 24º Domingo do Tempo Comum retoma a dimensão do perdão. Primeiro aspecto que precisamos olhar é como nós quantificamos as coisas na nossa vida. Parece que tudo na nossa vida é número. Mas a vida não pode ser calculada, mas sim medida pela intensidade com que fazemos as coisas e a vivemos.

Mas isso não é só um problema dos tempos Pós-Modernos não. Os discípulos de Jesus, imersos no mundo de Israel e arredores, também pensam que podem medir a santidade pela quantidade das coisas que fazem. Pensam que podem comprar a salvação fazendo tantas e tantas vezes as coisas.

Na resposta que Jesus dá no Evangelho deste Domingo (Mt 18,21-35) Ele quer nos ensinar e mostrar que o perdão e todas as coisas boas, não podem ser contabilizadas pela quantidade de vezes. Mas que devem ser colocadas em práticas sempre que houver necessidade. Já imaginou se Deus fizesse isso conosco? Na vida você terá mil perdões! Pobrezinhos de nós. A misericórdia e a Redenção não teriam sentido.

Mas o fato de Deus nos perdoar sempre, não quer dizer que devemos viver uma vida totalmente desregrada. Não podemos brincar com a misericórdia de Deus e nem deixar para depois nosso processo de conversão.

A experiência com a misericórdia do Pai, deve fazer com que a coloquemos em prática. Não podemos fazer como o empregado que foi acertar contas com o rei. Foi perdoado porque suplicou, mas não foi capaz de perdoar o seu irmão. Este sim pensou que poderia brincar com Deus. Pensou que não precisava colocar em prática o perdão recebido.

A Leitura do Livro do Eclesiástico (27,33-28,9) também nos ajuda a compreendermos a importância do perdão. Ele precisa transpassar toda a nossa vida e as nossas atitudes. Quando não perdoamos, como podemos fazer a experiência do perdão e da misericórdia de Deus? Provavelmente é uma experiência externa e superficial. A Palavra ainda nos sugere para que “não guardemos rancor ao teu próximo”, pois todos somos filhos de Deus e como tais devemos viver. Os filhos devem manifestar aquilo que o Pai realiza.

Tudo isso porque, como nos diz São Paulo (Carta aos Romanos 14,7-9): “Ninguém dentre nós vive para si mesmo”. Vivemos para Cristo. Não podemos mandar na nossa vida. Ela pertence ao Senhor. Vivamo-la com seriedade e buscando a santidade.

Então, queridos irmãos e irmãs, fica mais uma vez este alerta e esta dica. Perdoar! Perdoar sempre! O perdão não pode ser medido! Nenhum gesto de caridade pode e deve ser medido. Eles devem ser realizações gratuitas de quem sente-se amado por Deus e quer compartilhar sua experiência.

Abençoado Domingo.
Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.