25 de agosto de 2017

E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU

Seguimos nosso caminhar neste mês vocacional. Estamos no último Domingo do mês de agosto e nele a Igreja reza e celebra a vocação de todos os Leigos que assumem seu Batismo e o ser cristãos com determinação e responsabilidade.

A expressão leigo normalmente se usa para aqueles que não tem conhecimento a respeito de um determinado assunto. Mas na Igreja ela indica aqueles que não receberam o Sacramento da Ordem ou não se consagraram em um Instituto Religioso. Eles têm uma missão muito importante, como de qualquer outro cristão. Todas as vocações e todos os batizados tem sua importância na vida e na missão da Igreja.

É bom saber que os Leigos são cristãos que têm uma missão especial na Igreja e na sociedade. Pelo batismo, fonte de todas as vocações, receberam essa vocação que devem vivê-la intensamente a serviço do Reino de Deus.

Se por algum tempo na história da Igreja a missão do leigo não era muito valorizada, o Concílio Vaticano II resgatou a importância e o valor da mesma. Como todas as vocações nascem no coração amoroso do Pai, todos os chamados, leigos, sacerdotes, consagrados, são importantes, pois somos chamados a testemunharmos um só e mesmo amor.

“Os leigos são chamados a desempenhar diversas tarefas dentro da comunidade eclesial: Ministro da Eucaristia, catequista, agente das diferentes pastorais, serviço aos pobres e aos doentes. São chamados também a colaborar no governo paroquial e diocesano, participando de conselhos pastorais e econômicos. Não como simples colaboradores do bispo e dos padres, mas como membros ativos da comunidade, assumindo ministérios e serviços para o engrandecimento da Igreja de Cristo.

Apesar desses serviços que desempenham na comunidade eclesial, a missão mais importante dos leigos é no mundo. Eles são chamados a realizar sua missão dentro das realidades nas quais se encontra no dia-a-dia.

Na família, no trabalho, na escola, no mundo da política e da cultura, nos movimentos populares e sindicais, nos meios de comunicação, é chamado a testemunhar, pela palavra e pela vida, a mensagem de Jesus Cristo. Nessas realidades, é chamado a desempenhar sua missão, necessária e insubstituível.

Por isso o papel do leigo não é ficar o dia todo na igreja, mas ser fermento nesses campos de vida e de atuação, ser "sal da terra e luz do mundo". Nesses ambientes deve se empenhar para a construção efetiva do Reino de Deus, "um reino eterno e universal, reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz", como rezamos no prefácio da missa da festa de Cristo Rei.

O reino de Cristo cresce onde se manifesta a atitude de serviço, a doação generosa em prol dos irmãos, onde há o respeito pelos outros, onde se luta pela justiça e pela libertação. E tudo isso acontece de modo especial através da atuação dos cristãos leigos.

Quando os leigos assumem de fato sua missão específica, podemos sonhar com uma nova ordem social. O Concílio Vaticano II e os ensinamentos do papa insistem muito na necessidade de os leigos participarem ativamente na construção de uma nova sociedade, aperfeiçoando os bens criados e sanando os males. Felizmente, muitos têm entendido essa missão e se empenhado para bem cumpri-la.

Vemos com muita esperança o crescimento hoje da tomada de consciência por parte de muitos leigos que compreendem essa índole específica de sua missão. Acreditam nela e procuram exercê-la de modo digno e eficiente para que se faça cada vez mais concreta a promessa de Jesus: "O Reino de Deus está presente no meio de vós."

Devem participar da vida comunitária, buscando nas celebrações, sobretudo na Eucaristia, as forças de que necessitam para bem desempenhar sua missão na comunidade e no mundo.

Através dos leigos, a Igreja se faz presente nos diversos ambientes sociais, impregnando-os da mensagem de Jesus Cristo, semeando os valores evangélicos da solidariedade e da justiça, empenhando-se decisivamente na construção da sociedade justa, fraterna e solidária, sinal do Reino de Deus”¹.

É da experiência com o ressuscitado, assim como os discípulos, que nasce a inquietação para a missão de todos os batizados. Por isso, quem é Jesus para você? Qual experiência de Deus tens na tua vida? Ela deve se refletir na missão que realizas.

Deus seja louvado pelos leigos que incansavelmente trabalham pela construção do Reino de Deus. Que o vosso testemunho de santidade transforme todos os meios: políticos, sociais, econômicos, ecológicos, religiosos onde atuam.

Abençoado Domingo e uma semana cheia de alegria e paz.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

¹ Dom João Bosco Óliver de Faria - Administrador Diocesano de Patos de Minas e Arcebispo Eleito de Diamantina.