16 de fevereiro de 2018

CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO

Estimados irmãos e irmãs. Iniciamos o Tempo da Quaresma com a celebração da Quarta-feira de Cinzas. Este tempo que viveremos por quarenta dias, tem por objetivo preparar o nosso coração e a nossa vida para vivermos a maior de todas as festas cristãs: a Páscoa! Ela é o centro de toda a nossa vida de fé. Dela tudo parte e nela tudo culmina, pois é um evento único, salvífico, redentor.

Neste 1º Domingo a Palavra de Deus faz um grande apelo a conversão. Quantas vezes somos tentados a pensar que, pelo fato de sermos batizados, participarmos da santa Missa, rezarmos todos os dias, não precisamos de conversão. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais sentimos a necessidade de conversão, pois nem tudo na nossa vida está de acordo com a sua Palavra, com os seus projetos.

Toda vez que fazemos escolhas erradas, optando por situações de morte, nos afastamos da vontade e do amor de Deus. Neste tempo seremos continuamente convidados a vigiar e perseverar.

O evangelista São Marcos, nos lembra que Jesus também foi tentado no deserto. Em seus momentos de oração e sentindo as limitações humanas, o próprio Senhor foi tentado para nos lembrar que podemos passar por tentações em todos os momentos, mas elas são mais fortes quando estamos fragilizados física e espiritualmente. Porém, a experiência, a relação com Deus, fará com que compreendamos que podemos vencer todas as tentações. O Senhor nos dá o seu auxílio.

Com o povo de Israel, Deus fez uma aliança, colocando um arco nas nuvens (Cf 1ª Leitura Gn 9,8-15). Com o novo povo de Deus, o Senhor fez mais uma aliança, que é a Cruz. O arco representou a promessa que Deus fez em não mais mandar o dilúvio. Na Cruz se cumpre a promessa de Salvação. Por ela fomos libertados da morte eterna. As portas do paraíso foram abertas. Todos os que creem, esperam, buscam, serão salvos pela Cruz redentora de Cristo.

A arca que salvou o povo escolhido da morte, representa para nós o batismo, conforme nos diz São Pedro (1Pd 3,18-22) em sua leitura que rezamos neste Domingo. Como a arca conduziu são e salvo o povo durante o dilúvio, o Batismo nos conduz para Deus enquanto peregrinamos neste mundo onde tantas águas tentam nos afogar.

Amados irmãos e irmãs. A Campanha da Fraternidade deste ano nos convida também a superarmos a violência, pois somos todos irmãos. A superação da violência acontecerá quando de fato vivermos como irmãos, respeitando-nos, amando-nos assim como o Senhor nos amou. Não podemos aceitar e nem acreditar que as armas produzem segurança e defesa. Temos visto ao longo dos milênios que nenhuma arma garantiu a paz duradoura e a defesa da vida. Enquanto fabricarmos armas continuaremos assistindo o crescimento da violência.

Conversão é abandonar todos os sistemas que produzem morte. Aceitar Jesus é aceitar sua proposta de justiça e amor. Quando usamos o nome de Deus para fazer violência, não estamos vivendo o Evangelho e a conversão ainda não aconteceu de verdade.

Iniciamos o caminho rumo a Páscoa. O que faremos para viver melhor?

Abençoada semana!

Saudações.
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

3 de fevereiro de 2018

VAMOS A OUTROS LUGARES, FOI PARA ISSO QUE EU VIM!



Estimados irmãos e irmãs, amigos e amigas. Avançamos já para o 5º Domingo do Tempo Comum e o segundo mês do ano. Nesta correria em que estamos imersos, torna-se cada vez mais necessário saber administrar bem nosso tempo para não sermos sufocados pelos afazeres e deixarmos de lado nossa dimensão espiritual. Sabemos que uma vida equilibrada torna-se mais prazerosa. Para atingirmos esse equilíbrio precisamos cuidar da saúde física, da saúde mental com boas e sadias leituras, e da saúde espiritual rezando para estarmos em sintonia com nosso criador. Ele nos quer próximos dele para nos ensinar a viver com sabedoria o dom da vida que nos deu.

O tempo sempre foi igual. Hoje enchemo-nos com muitas ocupações e se não soubermos administrá-las, seremos sufocados e não conseguiremos ter uma qualidade de vida. Somos nós que administramos o nosso tempo. Não podemos desperdiça-lo com coisas insignificantes e nem permitir que as mídias digitais nos aprisionem. Todos os recursos das ciências e tecnologias estão a nosso dispor e devem nos ajudar a viver melhor e não nos tornar escravos delas.

Jesus sabia administrar muito bem o seu tempo. Vemos isso narrado o episódio do Evangelho deste Domingo (Marcos 1,29-39). Ele dedicava-se ao cuidado das pessoas, momentos de descanso, oração. Em sua missão e cuidado, visita os amigos, a família de André e encontra a sogra dele acamada e com febre. Marcos nos diz que Jesus aproximou-se dela, segurou em sua mão e ajudou-a a levantar-se.

O Senhor está sempre atento as necessidades das pessoas que estão em sua volta. Ele usa de uma pedagogia inclusiva e salvadora. Estende a mão para os que estão caídos e os ergue a fim de que possam assumir sua vida com responsabilidade, coragem, entusiasmo e alegria. Caídos não podemos seguir pelo nosso caminho. Precisamos aceitar a ajuda de quem nos estende a mão quando precisamos e fazer o mesmo àqueles que se encontram caídos em nosso caminho.

A nossa mão, porém, sempre segue a dinâmica do nosso coração. Quando ela não se estende aos necessitados, é porque o nosso coração está fechado e não se abre ao amor de Deus. Mãos fechadas, braços cruzados são sinais da indiferença que continua fazendo milhões de vítimas ainda hoje, inclusive no nosso meio, entre os cristãos.

Outro aspecto que trazemos a reflexão é a disposição missionária de Jesus. Ele está sempre em movimento e Marcos faz questão de realçar isso. O missionário tem que se deixar mover pelo Espírito Santo, pois é o próprio Espírito que nos impulsiona a ir ao encontro das necessidades dos irmãos e irmãs. A Igreja, a Vida Religiosa Consagrada, todos os batizados devem continuar sentindo-se corresponsáveis pela evangelização. O Evangelho não pode ficar engavetado, armazenado, escondido. Na verdade, a própria Palavra de Deus nos impulsiona na missão. Dá-nos ânimo, força, coragem a vencermos o medo e a acomodação. Assim tornamo-nos Evangelhos vivos, como nos dizia São João Calábria.

Para todos os batizados, evangelizar é uma necessidade, como diz São Paulo (2ª Leitura: 1Cor 9,16-19.22-23), pois, continua ele, a iniciativa, o encargo recebemos do próprio Senhor. É Jesus que nos chama, forma, envia e realiza tudo. Somos apenas instrumentos em suas mãos. Ele quer nossa disposição, o restante ele mesmo faz.

A vida é uma luta constante, como nos diz Jó (1ª Leitura Jó 7,1-4.6-7). Não podemos desanimar diante das dificuldades, pois a pobreza maior não é a falta de bens, mas estar longe do amor e da misericórdia de Deus. Quando estamos longe de Deus, desanimamos, perdemos a vontade de viver, somos insensíveis, preguiçosos, indiferentes. A vida, como nos lembra o ator do livro de Jó, é apenas um sopro. Passa muito rápido, por isso não podemos perder tempo com coisas insignificantes. Apostar em grandes ideais, gastar a vida com coisas boas e que nos tornam pessoas melhores, faz com que vivamos mais alegres, otimistas, cheios de esperança e amor.

Jesus tinha um grande ideal: salvar a humanidade. Qual é o seu? Caso ainda não tenha descoberto, busque ao Senhor e Ele mostrará onde deves gastar a tua vida.

Abençoada semana!

Saudações,
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

25 de janeiro de 2018

TU ÉS O SANTO DE DEUS

Estimados irmãos e irmãs. Estamos no 4º Domingo do Tempo Comum. Continuamos nossa caminhada com o Senhor que passa fazendo o bem a todos; fazendo bem todas as coisas. Com o Mestre os discípulos aprendem sempre.

Para entender melhor esta passagem do Evangelho é preciso ter mais uma vez o pano de fundo sobre o evangelista São Marcos que já refletimos no 3º Domingo (clique aqui para ler). Ainda estamos no primeiro capítulo do Evangelho (Mc 1,21-28) e o autor faz questão de frisar que quando Jesus entra na sinagoga e começa a ensinar, “todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da lei”.

Neste aspecto e no milagre narrado, o autor quer evidenciar a divindade de Jesus. Ele não é um homem qualquer. Recebeu de Deus uma autoridade que os homens não tinham; os mestres da lei não tinham. Qual é esta autoridade? Autoridade dada por Deus de mudar a vida dos ouvintes, curando, libertando, salvando.

O primeiro milagre que é colocado por Marcos é a libertação de um homem do espírito mau. Vale lembrar aqui que nem tudo é sinônimo de possessão demoníaca. As doenças até então desconhecidas pelo povo eram atribuídas como ação de um espírito mau. Por isso, geralmente, as pessoas eram afastadas da comunidade. Ficavam fora das cidades, dos povoados ou eram aprisionadas em algum lugar. Este aparentemente não tinha muitos aspectos visíveis da sua possessão, pois estava na sinagoga.

Mas o que nós queremos destacar neste episódio é que a primeira resposta de quem é Jesus é dada pelo espírito mau e fala justamente da natureza de Jesus: “Que queres de nós, Jesus nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o santo de Deus!” Vejam que ele afirma: “eu sei quem tu és!” Quer dizer, o espírito sabia de onde Jesus vinha.

Outro elemento que queremos destacar e que é importante faze-lo é que não foi um israelita que reconhece a divindade de Jesus, mas um, podemos assim dizer, estrangeiro (espírito mau). Alguém que não fazia parte da comunidade dos convertidos. Marcos quer colocar em evidência aqui, que os pagãos estão aceitando e reconhecendo Jesus mais facilmente que os judeus, o povo eleito. Lembrando que ele está em Roma, terra pagã. A comunidade aí constituída estava crescendo, aumentando, acolhendo a mensagem de Salvação.

Ao colocar esta cura, Marcos também quer trazer para a comunidade a importância da obediência à Palavra de Deus, pois ela tudo pode transformar. Se os espíritos maus, os estrangeiros obedecem, quanto mais os filhos, os convertidos têm o dever de acolher e obedecer as palavras do Senhor.

Isso continua valendo também para nós hoje. Precisamos acolher e colocar em prática o que o Senhor nos ensina. Assim seremos verdadeiros filhos de Deus. Seremos, como pedia São João Calábria, Evangelho vivos.

Na Carta de São Paulo aos Coríntios (2ª Leitura 1Cor 7,32-35 – escrita entre os anos 56 e 57 d.C.) vemos as instruções que ele dá a comunidade por ele fundada. Era uma comunidade constituída por pessoas provenientes de diversas culturas, vivências e religiões. Ainda mais uma cidade constituída por dois portos. Então, passavam por aí muita gente e era preciso que os cristãos tivessem bem claro a sua opção de fé e não se deixar contaminar pelas influências dos pagãos.

O que Paulo recomenda (neste trecho) à sua comunidade? Que eles tenham uma conduta coerente com a fé que professam. Não podem viver como os pagãos. Eles têm que ser modelo em tudo o que fazem. Instrui sobre a vivência dos solteiros e dos casados, pois estes não podem viver uma vida solta, desenfreada, no adultério. Vejamos: “O homem não casado é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher e, assim, está dividido. Do mesmo modo, a mulher não casada e a jovem solteira têm zelo pelas coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito. Mas a que se casou preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar ao seu marido. Digo isto para o vosso próprio bem e não para vos armar um laço. O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, permanecendo junto ao Senhor, sem outras preocupações”.

Fica assim para nós o convite de permanecermos sempre atentos a Palavra do Senhor, guardando-a em nosso coração e colocando-a em prática. Assim saberemos por onde andar, pois ela se torna luz no caminhar.

Reconhecer e acolher Jesus que tem o poder de tudo mudar na nossa vida, inclusive aquilo que por nossa força não o podemos fazer. Ele tem um ensinamento determinante e não autoritário. Quer promover a vida das pessoas, de todos os filhos e filhas de Deus.

Abençoada semana!

Saudações.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

19 de janeiro de 2018

O mundo em constante transformação: os desafios da formação no contexto da Pós-Modernidade

"Pe Hermes enfrenta muitos desses desafios suscitando uma reflexão que vai além de um mero exercício acadêmico; sua proposta converge para iluminar uma nova prática formativa nos institutos a fim de provocar mudanças nas estruturas." Carlos Eduardo Cardozo (Cadu)

Aos interessados em adquirir o livro, eis o link. Neste valor está embutido o frete por carta registrada com envio para todo o país. A venda é segura, realizada pelo site PagSeguro do Uol.



Link para compra!

Aos que forem comprar pessoalmente no COV Nazaré, não incidirá os encargos.

18 de janeiro de 2018

O TEMPO JÁ SE COMPLETOU E O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO

Queridos irmãos e irmãs. Estamos no Terceiro Domingo do Tempo Comum. Neste ano B a Igreja nos convida a refletiremos sobre temáticas diversas iluminadas pelos ensinamentos de Jesus narradas pelo evangelista Marcos. Lembrando que o Evangelho de São Marcos foi o primeiro dos evangelhos a ser escrito. Sendo Roma o lugar e por volta do ano 64 d. C. Então temos como pano de fundo um cenário diferente dos lugares por onde Jesus passou, mesmo que Marcos tenha passado por lá. Importante também é estarmos atentos as datas em que os textos sagrados foram escritos. Este, por exemplo, o primeiro dos Evangelhos foi registrado pelo menos 30 anos depois da morte e ressurreição de Jesus.

Antes de fazermos nossa reflexão deste 3º Domingo do Tempo Comum, vale trazer alguns elementos do evangelista que vamos falar tanto ao longo deste ano. Elementos que sempre precisam ser considerados para uma leitura adequada do texto e não ficarmos apegados aos fatos, mas no sentido e significado deles, pois este é o objetivo de um autor sagrado quando os narra. Muitos dos acontecimentos são ilustrativos ou tem elementos simbólicos embutidos para enriquecer os ensinamentos a comunidade.

O Evangelho de São Marcos especialmente “dirigido aos pagãos convertidos ao cristianismo, é uma resposta para a comunidade que está em crise, por causa da perseguição do Império Romano aos cristãos de Roma. Na abertura de seu Evangelho ele apresenta Jesus Cristo como o Salvador em contraposição a Cesar, Imperador Romano, que se considerava deus. O culto ao Imperador era muito difundido nos santuários de Roma e os cristãos eram obrigados a estas práticas. Preocupa-se Marcos em apresentar Jesus, a partir da crise que vive a comunidade, com os seus ensinamentos, suas Parábolas, milagres, Paixão e ressurreição que ajudam a comunidade a criar condições, vencer os desafios e conquistar novos membros”.¹

Sofrendo nas mãos dos Romanos, os cristãos desta comunidade acreditavam que Jesus voltaria logo como rei triunfante e os libertaria das mãos dos Romanos. Inclusive São Paulo, que conheceu bem Marcos, chegou a pensar nisso muitas vezes escrevendo em suas cartas sobre a volta de Jesus. Frente a isso, a grande questão que Marcos quer enfatizar é que Jesus é o Messias e Filho de Deus. Esta temática vai permear toda a reflexão e os relatos de milagres visam responder ou afirmar esta questão.

Iluminados por esta brevíssima introdução, vamos ao trecho do Evangelho deste Domingo (Mc 1,14-20). Nele está a primeira fala de Jesus que nos remete justamente ao pano de fundo que vimos acima: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” Junto com este convite, iniciando a sua missão, Jesus chama alguns para que pudessem colaborar com ele. Assim temos o chamado dos primeiros discípulos: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.

Um outro elemento que já vale destacar e observar para nossa reflexão é a disponibilidade imediata dos que foram chamados. Marcos faz questão de frisar que “eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus”. Ao convite do Mestre não podemos ficar parados e o seu apelo é urgente. Ele precisa de pessoas totalmente despojadas e disponíveis. Esta atitude e mensagem nos questionam quanto a disponibilidade que temos em servir o Mestre. Quantas comunidades e Paróquias estão morrendo por falta de discípulos que se dispõe em servir.

O convite a conversão que Jesus faz, já o vemos presente lá no livro de Jonas (1ª Leitura: Jonas 4,1-5.10), mostrando que este convite sempre precisará ser refeito. Necessitamos ser lembrados deste compromisso que temos com Deus. Aqueles que se acham o suficientemente bons e convertidos são os mais necessitados da misericórdia de Deus. Por todo o percurso da nossa vida precisaremos dar passos rumo ao Mestre, pois nunca seremos o suficientemente santos e bons.

Vamos colocar algumas curiosidades sobre o livro de Jonas que nos farão entender melhor a mensagem do autor. Estas informações foram tiradas da nova Bíblia Pastoral na introdução ao livro. “É possível que este livro tenha sido escrito no final do império persa, entre 400 e 350 a. C. Surgiu, provavelmente, entre os sábios de Israel comprometidos com a fé e a vida do povo. Apresenta Javé compadecendo-se dos estrangeiros, numa crítica à corrente judaica oficial na época de Neemias e Esdras”.

Com isso o autor quer mostrar que Deus também quer salvar os que não faziam parte do povo judeu. Ele compadeceu-se dos estrangeiros e envia Jonas para dirigir a estes um apelo de conversão. Para ilustrar que eles aceitaram o apelo de Deus feito pelo profeta, o autor diz que os habitantes de Nínive se convertem aceitando fazer jejuns e vestir sacos desde o “superior ao inferior”. O trabalho missionário que levaria três dias, bastou um só para que o povo se convertesse.

Autores que estudam a muito tempo livros como este, dizem que é improvável que de fato todos tenham se convertido e que a mensagem tenha sido aceita tão facilmente. Ainda mais porque Jonas estava em território estrangeiro. Mas o que ele quer ressaltar e que para nós tem maior importância é o fato de que a mensagem de Deus foi aceita por um povo que não pertencia ao povo escolhido, judeus, e estes mudam de vida.

Assim continua acontecendo ainda hoje desde o tempo de Jesus. Muitos povos aceitaram o Evangelho e Cristo como Salvador. Graças a isso esta mensagem chegou até nós. Hoje existem muitas ‘Nínives’ que precisam ser evangelizadas. Cabe a nós, discípulos de Cristo, convidá-las a conversão. Você aceita esta proposta? Cristo pode contar contigo? O que tens feito para que o Evangelho chegue a mais pessoas e as leve a conversão?

Que o Senhor nos inspire sempre bons propósitos e sua Palavra esteja em nossa mente, em nosso coração e em nossos lábios.

Abençoada semana!

Saudações

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.


¹ Odalberto Domingos Casonatto - http://www.abiblia.org/ver.php?id=6796

11 de janeiro de 2018

EIS O CORDEIRO DE DEUS

Queridos irmãos e irmãs. Já entramos no Tempo Comum que para a Igreja se caracteriza por um longo período de 34 semanas onde refletiremos sobre temáticas diversas iluminadas pelos ensinamentos de Jesus narradas pelo evangelista Marcos (exceto este Domingo e em algumas festas e solenidades com textos próprios).

Didaticamente iniciando um novo tempo e o ano civil, a Palavra de Deus nos apresenta o início da vida pública de Jesus e consequentemente o silenciar de João Batista que será inclusive decapitado por denunciar os pecados de Herodes.

João Batista apresenta Jesus como o CORDEIRO DE DEUS (Evangelho Jo 1,35-42), o esperado pelo povo; o prometido por Deus Pai há muitos séculos e que agora está presente no meio dos seus.

Dois dos seus discípulos, que estavam com João, depois de ouvirem seu testemunho sobre Jesus, deixam ele e seguem o novo Mestre. O testemunho de João foi convincente. Ele apontou para Jesus, preparou os caminhos e os corações dos que o escutaram para poderem acolher Cristo.

Jesus viu que estes começaram o segui-lo. Voltando-se para eles pergunta: “o que estais procurando?” Ao que respondem com outra pergunta: “Mestre, onde moras?” Eles querem estar com Jesus. Querem saber onde ele ficava e o que fazia. Depois deste encontro, saem convidando outros: “Encontramos o Messias”. Assim o grupo vai aumentando.

Logo de início podemos refletir sobre alguns aspectos interessantes: João Batista testemunhou Jesus de tal forma que os seus discípulos, que eram pessoas próximas dele, o abandonam e vão seguir Jesus, que é a centralidade da nossa fé. O nosso testemunho leva as pessoas à Jesus? Queremos estar com o Mestre assim como os discípulos desejavam estar? É no estar com o Mestre que eles aprendem, que nós ainda hoje aprendemos, como ser discípulos. Partilhamos dos sonhos e objetivos de Jesus.

Certamente foi um encontro maravilhoso e decisivo para a vida dos discípulos, pois eles vão anunciando aos outros amigos a beleza deste encontro. O nosso encontro com o Mestre nos torna missionários? Queremos que outros façam a mesma experiência que fizemos? Quando não nos sentimos impulsionados a testemunhar Jesus, é porque este encontro profundo, assim como foi com os discípulos, não aconteceu.

Onde podemos encontrar o Mestre hoje? Existem muitos lugares. Ele está presente na Palavra, na Comunidade reunida em seu nome, nos irmãos e irmãs e especialmente na Eucaristia. Nós somos privilegiados, pois podemos nos encontrar com Jesus em várias situações. Ele deseja muito que façamos este encontro. O convite permanece sempre aberto: “VINDE VER!”

Esta dimensão é fundamental no caminho da fé. Uma frase com duas palavras, dois verbos, indicando que a fé não é algo estático. Requer de nós esta dinâmica da caminhada. O Mestre chama os discípulos e a todos nós para irmos ao seu encontro e ver de perto como Ele vive e o que Ele faz. Então, irmãos e irmãs, a decisão sempre é nossa. Precisamos caminhar, ir ao encontro dele. O Senhor não nos obriga e nem força, apenas faz um suave e doce convite: Vinde!

Vamos ao seu encontro? Vamos sair de nossas casas, de nosso comodismo, dos nossos afazeres e ocupações, de nossas preguiças, para estar com quem tudo pode fazer e transformar. Não adianta inventar desculpas dizendo que não temos tempo para rezar, ir a missa, ler a Bíblia. Ele, autor de tudo, inclusive do tempo, merece todo o nosso tempo, o melhor do tempo que temos e não o resto, o que sobra. Todo tempo com Jesus não é tempo perdido, mas ganhado. Pois quanto mais conhecemos o Mestre, mais nos santificamos.

Quanto tempo você fica na frente da televisão? Quanto tempo gasta no Facebook, WhatsApp, twitter, instagram, nas redes sociais compartilhando muitas vezes piadas, acidentes, fofocas? Então, o tempo é questão de escolha. Escolhemos as prioridades da vida. Será que estamos fazendo as escolhas certas? Aquilo que escolhemos tem nos tornado pessoas melhores? Tem nos ajudado a sermos mais santos?

Quando dedicamos tempo para Deus, vamos conhecendo a sua Palavra. Aquilo que o Mestre nos diz, não nos é estranho. Sabemos identificar a sua voz em meio a tantas vozes que gritam no mundo. Samuel (1ª Leitura 1Sm 3,3-10.19) demorou para distinguir a voz de Deus da voz de Eli e precisou de um mestre que o instruísse. Assim também somos nós. Precisamos da Igreja, do Papa, dos Bispos, Sacerdotes para que eles nos orientem por onde devemos caminhar e para conhecermos melhor a voz do Senhor e não sermos enganados por aqueles que se dizem de Deus, mas querem apenas nos causar mal.

Precisamos lembrar sempre aquilo que nos diz São Paulo (2ª Leitura 1Cor 6,13-15.17-20): o nosso corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor. Por isso, é nosso dever, fazer tudo aquilo que agrada a Ele, pois o nosso corpo é santuário do Espírito Santo que mora em nós.

Vamos estar sempre com o Senhor. Só assim podemos mudar o que em nós é pecado e poderemos transformar o mundo em que vivemos. Teremos forças para vencermos os desafios do mundo.

Abençoada semana!

Saudações.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

4 de janeiro de 2018

AJOELHARAM-SE E O ADORARAM

Estimados irmãos e irmãs. Vivendo o tempo do Natal, celebramos com toda a Igreja neste Domingo, a Epifania do Senhor. Jesus se manifesta ao mundo, mas poucos o reconheceram e o acolheram. Ele nasce em meio aos simples e pobres para confundir os que se consideravam grandes e sábios. Ele se revela nos corações daqueles que o acolheram.

Onde podemos encontrar Jesus hoje? Onde Ele se revela para nós? Todos os batizados devem deixar transparecer Cristo. Ser batizado, é ser cristão. Ser cristão, é tornar-se imagem e semelhança de Cristo, é ser outro Cristo no mundo. Grande seria a transformação do mundo que todos nós cristãos fôssemos outros cristos, Evangelhos vivos.

Neste ano em que a Igreja no Brasil celebra a vocação do laicato, todos são chamados a manifestar o seu ser cristão vivendo os valores do Evangelho em todas as esferas e relações. Não podemos deixar que a luz de Cristo seja ofuscada pelas trevas do mundo.

Encontramos ainda Cristo nos irmãos pobres, necessitados, refugiados. Aqueles que são vítimas de sistemas que apenas visam a riqueza e o poder. Precisamos cuidar porque tem muitos que infelizmente fazem-se de pobres para usurpar. Enganam os de bom coração e ainda não deixam chegar a caridade a quem realmente precisa.

Cristo é presença na Palavra que rezamos e praticamos. É presença na Eucaristia que celebramos e comungamos. De muitas formas o encontramos. Grande deve ser a nossa alegria.

Qual a nossa atitude diante de Cristo? Como nos colocamos diante dele? Os magos ajoelham-se em adoração (Mt 2,11) e ofereceram presentes. Hoje devemos ajoelhar-se em adoração e oferecer a nossa vida para que Ele a transforme. Só Ele merece a nossa doração!

Quem não se ajoelha diante de Cristo, ajoelha-se diante do dinheiro, do poder, da ganância. Muitos hoje preferem ajoelhar-se, prostrar-se diante do seu próprio orgulho e vaidade. Não mais reconhecem e não acolhem Jesus como Salvador. Pensam, enganando-se, que podem viver sem Deus, satisfazendo seus desejos e vontades.

Ainda temos os Herodes que sentem-se incomodados pela presença de Deus. São aqueles que usam o poder para massacrar, enriquecer-se e não para servir e administrar os bens da criação em vista do bem comum. Estes Herodes continuam querendo matar o menino Jesus nos irmãos refugiados, nos que passam fome, sede, frio. Enfim, todos os que estão a mercê da miséria degradante.

Enganam-se pensando que poderão triunfar sobre a justiça divina. Não! A misericórdia de Deus vem em socorro daqueles que só tem a Ele como consolo. A luz do altíssimo (1ª Leitura Is 60,1-6) manifesta a glória do Senhor em Jesus, feito criança que vem salvar a todos.

Brilhe sobre nossa vida neste novo ano a luz que é Deus, para que nosso caminho fique sempre mais claro. Com Ele caminhamos seguros, porque sabemos que não estamos sozinhos.

Abençoada semana!

Saudações.

Pe. Hermes José Novakoski,
Pobre Servo da Divina Providência!

29 de dezembro de 2017

O SENHOR TE ABENÇOE E TE GUARDE

Estimados irmãos e irmãs. Feliz Ano Novo! “O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” (Nm 6,24-26).

É muito bom, faz muito bem iniciar um novo ano civil, uma nova etapa com as bênçãos de Deus. Feliz de quem busca o Senhor e confia na sua Providência, no seu auxílio, na sua misericórdia.

Antes de crermos em previsões e acreditarmos em superstições, precisamos mudar o nosso coração. Muitos acreditam nas forças externas como determinantes no decurso de um ano, de uma caminhada e se esquecem que dentro de nós existe uma força maior que pode determinar como as coisas serão. Isso mesmo! O Espírito Santo, a força de vida que habita dentro de nós tem um poder tremendo e muitas vezes desconhecidos por nós. Aí ficamos apegados a objetos inanimados que recebem de nós um poder que não tem e cremos que eles determinam o percurso das coisas. Não é bem assim!

Em muitos dos milagres que Jesus realizou, Ele mesmo dizia: “A tua fé te curou!” “Seja feito como tu queres e crês” e assim por diante. O Senhor despertava nas pessoas o poder que elas tem de encontrar a solução para muitos dos seus problemas. Em nossa cultura supersticiosa em que estamos, delegamos esse poder a coisas e seres. Quantos católicos usam pimentinha no colar; pé de coelho na bolsa; sapinho da prosperidade etc. Que feio! Católico tem que usar a Cruz de Cristo e mudar a sua vida a partir de dentro. Aí sim, as coisas serão diferentes.

É mais fácil e cômodo delegar a sorte para alguém ou alguma coisa para depois podermos culpar este alguém externo pelo nosso fracasso e insucesso. Isso existe há muitos séculos. Povos inteiros acreditavam que as forças externas determinavam os acontecimentos naturais e sacrificavam inclusive vidas humanas para estas forças desconhecidas. Naquela época até que isso fazia sentido, porque o conhecimento das coisas e de nós mesmos não tinha avançado tanto. Hoje não faz mais sentido.

Iniciando o novo ano são muitas as promessas de mudança de vida, desejo de sucesso, felicidade. Tem ainda aqueles que fazem ofertas de alimentos, flores, bebidas a seres que não conhecem e que nunca provaram sua existência.

Quer um ano melhor na tua vida? Comece por você mesmo. Coloque mais fé no teu cotidiano. Reze mais. Pense e faça coisas boas. Deseje o bem para todos. Cultive bons propósitos, ideais, sonhos. Perdoe! Ame! Escute! Estude! Faça coisas boas. Enfim, tome a sua vida, dom de Deus nas mãos e assuma a responsabilidade que cabe a você de fazer as coisas serem melhores e diferentes.

Não é uma roupa branca, um brinde com champanhe importado em taças de cristal, a queima de fogos que fará de você uma pessoa melhor. Não são estes eventos externos e consumistas que farão você prosperar no próximo ano. Agora se você cultivar as coisas boas, lutar por bons ideais, fazer o bem a todos, isso fará do novo ano, um ano especial, diferente, inesquecível.

Quantas vezes fazemos as escolhas erradas e depois culpamos as coisas, as energias do mundo e até Deus por isso. Seria mais bonito e prudente assumirmos a culpa por nossas escolhas e aprender com os erros que cometemos para não continuarmos errando.

Irmãos e irmãs. Pensei ser oportuno trazer essas coisas para a nossa reflexão, pois de nada adiante fazer mil planos e juras de amor para um ano que se inicia se o nosso coração continua insensível, indiferente, contaminado por coisas ruins. Deus habita em nosso coração (pelo menos deveria), portanto não coloque coisas ruins dentro dele. Não contamine a morada de Deus.

Pensamentos, atitudes e ações positivas trazem, consequentemente, resultados positivos. Comece cada dia com alegria, otimismo, oração e verás que ele será diferente. Não se deixe vencer pelo desânimo, preguiça, inveja, indiferença, ódio. Essas coisas ruins contaminam nosso coração e fazem todas as coisas darem erradas, seja no presente, como no futuro.

Assim como “os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido” (Lc 2,20), nós também devemos louvar e glorificar a Deus pela sua Providência que sempre nos acompanha. Porém, o encontro deve acontecer no nosso coração. Não pode ser algo superficial, externo. Ele nos espera, sabe onde? Você sabe, mas vale lembrar: na Eucaristia, na comunidade reunida, na Palavra rezada, dialogada e assumida. Então, a gente se encontra na Igreja, casa de Deus, para iniciarmos bem o novo ano e assim sermos cada vez pessoas melhores, fazendo um mundo melhor. Deus conta com nossa ajuda e determinação. Vamos começar?

Abençoado Ano Novo, com muita consciência, fé e amor.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

28 de dezembro de 2017

FAMÍLIA DE NAZARÉ, ABENÇOE NOSSAS FAMÍLIAS

Estimados irmãos e irmãs. Estamos na oitava do Natal, tempo de celebração deste grande acontecimento na história da humanidade. Inserida dentro deste período, celebramos neste último Domingo de 2017, a festa da Sagrada Família. Uma oportunidade para refletirmos sobre a missão das famílias e como a nossa família está vivendo este compromisso de amor e fé.

Vale recordar que a família de Nazaré, apesar de ser santa, pois acolheu o Filho de Deus; Maria é a cheia de graça e José, o homem justo escolhido para cuidar desta família, enfrenta as intempéries do seu tempo. Basta olhar para os Evangelhos que veremos isso bem claro.

Durante a gravidez, Maria e José tiveram que ir até Belém para fazer o recenseamento decretado por César Augusto. Quando estavam lá, completou-se o tempo e nasceu Jesus. Eles estavam longe de casa. Além disso, não encontraram outra casa que os acolhesse. O Filho de Deus nasceu num lugar simples, pobre. Eles não reclamaram e não murmuraram por causa disso.

Logo depois do nascimento, como a notícia de que teria nascido um rei estava se espalhando rapidamente, Herodes sente-se incomodado e ameaçado. Com isso manda matar todas as crianças até dois anos com a intenção de atingir o menino Jesus. Mais uma vez a família de Nazaré tem que fugir. José foi avisado em sonho e com Maria e recém-nascido, vai para o Egito.

Irmãos e irmãs. Tudo o que a Sagrada Família passa, continua se repetindo. Hoje, vivemos um movimento forte de migração. É um fenômeno que vem se expandindo mundialmente. Certamente ninguém abandona sua casa, sua família, sua terra porque gosta ou porque está bem. Situações dramáticas levam as pessoas a fazerem isso. Muitas famílias são forçadas a deixar tudo para tentar sobreviver em outro lugar. Deixar tudo e ir a um lugar estranho sem saber o que lá os espera deve ser muito difícil. Não poder garantir alimento, casa, vestuário para seus filhos deve doer muito nos corações dos pais.

Assim como a família de Nazaré foi provada, muitas continuam sendo provadas ainda hoje. Isso tudo é provocado por aqueles que ainda não acolheram Jesus em seu coração. O Senhor continua sendo rejeitado, expulso, maltratado em todos estes que sofrem.

Esta liturgia é um grande convite para olharmos com amor para a Sagrada Família e aprender dela a sermos mais fraternos, simples, solidários. Assim como Simeão e Ana fazem (Evangelho Lc 2,22-40), precisamos fazer nós: tomar Jesus em nossos braços; acolhê-lo em nosso coração; contemplar a Salvação que Deus nos envia; fazer-nos solidários com nossos irmãos e irmãs.

A Leitura do Livro do Eclesiástico (3,3-7.14-17a) deste Domingo nos traz muitos ensinamentos e recomendações que continuam válidas para a vivência em nossas famílias. Por isso, é bom recordá-las e ver como estamos vivenciando estes valores e recomendações da Palavra de Deus: “Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração quotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida, a caridade feita a teu pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados e, na justiça, será para tua edificação”.

Quantos elementos que precisam ser retomados nos dias atuais. Muitas famílias estão machucadas pela falta de perdão, amor, diálogo, compreensão, fraternidade. É urgente retomarmos a reflexão do papel da família na sociedade, na Igreja e para a educação dos filhos.

Não podemos deixar que a mídia continue degradando nossas famílias, pois elas são um lugar sagrado, onde a vida deve ser promovida em todas as etapas e dimensões. Não podemos deixar que nossos impulsos e desejos, muitas vezes contaminados por coisas errôneas, nos façam insensíveis e indiferentes.

Louvemos ao Senhor porque tem muitas famílias seriamente comprometidas com os valores evangélicos. Não se deixam levar pelas grandes mídias e se mantem firmes nos propósitos e compromissos de educar os filhos na retidão. Muitos ainda acreditam na santidade e buscam vivencia-la na cotidianidade. Estas são a luz que ainda brilha no mundo e precisam ser imitadas.

Sagrada Família de Nazaré, abençoe nossas famílias. Que o Espírito Santo desperte em nós a consciência reta da missão que Ele nos confia.

Abençoado Domingo!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

22 de dezembro de 2017

EU VOS ANUNCIO UMA GRANDE ALEGRIA, É NATAL!

Estimados irmãos e irmãs, Feliz Natal! 

Chegamos a este dia tão lindo e especial. A solene liturgia que celebra este grande mistério nos faz mergulhar na grandeza e na beleza de tudo o que o Senhor realizou e continua realizando pelos seus filhos e filhas.

No Natal o Senhor cumpre a promessa feita há muitos séculos pelos profetas. Ele se fez carne e habitou entre nós. Grande, grandiosíssimo presente de Deus para seus filhos. Quanto amor, misericórdia, ternura, providência neste gesto do Pai. Tudo por amor. Só o amor é capaz de tudo dar.

As palavras do anjo continuam ressoando por toda a terra: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é Cristo Senhor” (Evangelho missa da noite: Lc 2,1-14). Não é uma notícia, um acontecimento qualquer. Nasceu o maior entre todos, o nosso Deus se fez homem. É Jesus Cristo que está entre nós.

Amados irmãos e irmãs. Hoje somos nós os portadores desta alegria e desta boa notícia. Precisamos emprestar nossa voz ao anjo, ao Senhor, para continuar gritando ao mundo: “Nasceu o Salvador! Alegremo-nos! Vamos ao seu encontro!”

Esta notícia não pode ficar parada, escondida, abafada porque é a maior, a melhor de todas as notícias. Todos os meios de comunicação deveriam fazer uma chamada exclusiva, especial, porque algo de extraordinário aconteceu: Deus menino nasceu. Mas como eles não o fazem, façamos nós.

Esta alegria deve permanecer, perpassar todos os dias da nossa vida. Esta boa notícia precisa ser anunciada sempre por todos os cristãos, por aqueles que ao fazerem a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, deixam Ele transformar sua vida. Este transbordamento da alegria deve contagiar a todos os que estão a nossa volta.

O Verbo, a Palavra que é Deus, veio fazer morada em nosso meio (Evangelho missa do dia Jo 1,1-18) para nos ensinar como devemos viver e manifestar o amor misericordioso de Deus. A misericórdia tornou-se pessoa e pode ser tocada, sentida, acolhida. A Palavra que nunca passará é a luz que brilha nas trevas e jamais se apagará.

Alegremo-nos, pois é Natal! Celebremos com nossa família, amigos, na comunidade este grande acontecimento histórico com o desejo de viver mais para Ele, pois Ele deu a vida por nós. Nele somos filhos de Deus e assim carregamos esta marca indelével recebida no Batismo.

Feliz Natal para todos nós que vamos celebrar este acontecimento que renova a nossa fé. Assim nossa esperança continua viva. Nossa alegria aumenta. A paz enche nossos corações e Ele mesmo faz aí morada. Feliz de quem acolhe o nascimento de Jesus em sua vida.

Manifestamos nossa alegria e nossa gratidão a Deus por este grande presente que Ele nos deu. Este que é o maior de todos os tesouros e quem o possui não se torna pobre, pelo contrário, tem a maior de todas as riquezas.

Mais uma vez, Feliz Natal!

Saudações.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

21 de dezembro de 2017

ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA

Estimados irmãos e irmãs. Chegamos ao quarto Domingo do Advento. Estamos as portas do santo Natal. Eis que o Senhor vem ao nosso encontro. Ele é o Deus presente no meio de nós que traz vida nova. Renova nossa esperança. Reacende a nossa fé.

Um dos elementos que nos acompanhou neste tempo, foi a coroa do Advento. Hoje acendemos a quarta vela. A de cor branca, simbolizando e suplicando a paz. Precisamos de paz. Sejamos instrumentos e construtores da paz.

Chegado o Natal, qual a vela que precisa acender ou reacender na tua vida, na tua família? Quem sabe a vela a esperança, da alegria, do perdão, da fé, da paz, da união, da fraternidade... Qual delas?

Então, meu irmão, minha irmã, chegou o dia de você acender esta vela e cuidar para que ela não se apague mais. Esta vela precisa ser acendida na luz verdadeira e que nunca de apaga: Jesus Cristo! Ele é a luz que ilumina as trevas que por ventura possam existir na nossa vida.

Neste Domingo tempos em destaque a presença de Maria. Como diz o anjo no Evangelho (Lc 1,26-38), é a cheia de graça, pois o Senhor está com ela. É assim que a Igreja Católica acolhe, reconhece e proclama. Eis a cheia de graça que é nossa Mãe. A maior entre as mulheres por ser mais dócil e simples entre todas. Viveu para, com e por Deus.

O Senhor nos privilegiou quando nos entregou, a cheia de graça, como nosso Mãe. Por isso, feliz quem a ela se confia. Diante dela as forças do mal são abaladas e o inimigo foge, pois ela vem trazendo no seu ventre o Filho de Deus e o seu coração está repleto do Espírito Santo e do amor do Altíssimo.

Com tudo isso o Natal é uma grande e solene celebração, pois muitas coisas bonitas são trazidas a memória. Celebramos a encarnação e o nascimento do nosso Salvador. Por isso não pode ser uma festa qualquer como tem se tornado para muitos. Bonito é ver que ainda muitos, assim como eu e você, temos consciência da grandiosidade deste acontecimento e o celebramos com toda a Igreja e nossos irmãos de caminhada.

Para que o Senhor realize também maravilhas na nossa vida, precisamos, como Maria, acolher o projeto salvífico. Deus tem muitas coisas para realizar na nossa vida. Cabe a cada um acolher a graça e deixar que ela realize aquilo para a qual foi enviada. Na vida de Maria aconteceram maravilhas porque ela colaborou com o projeto de Deus. Fez com que a graça recebida fosse multiplicada.

Este é um detalhe bem oportuno para ser refletido na nossa caminhada de fé. Deus, diariamente derrama muitas graças e bênçãos em nossa vida. Porém, as vezes ficamos tão distraídos, preocupados conosco mesmos que não acolhemos esta graça. Deixamos que ela passe por nossa vida sem a receber. Pode acontecer que recebendo esta graça, assim como a Eucaristia, não deixamos ela produzir frutos desejados por Deus. É de fundamental importância que colaboremos a fim de que a graça recebida produza frutos, santificando-nos.

Encerrando este tempo e iniciando o tempo do Natal, continuemos com os olhos fixos em Jesus, pois Ele faz novas todas as coisas. O caminho da fé não pode ser interrompido jamais.

Abençoado final de semana!

Saudações!

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência!

20 de dezembro de 2017

O mundo em constante transformação

"Pe Hermes enfrenta muitos desses desafios suscitando uma reflexão que vai além de um mero exercício acadêmico; sua proposta converge para iluminar uma nova prática formativa nos institutos a fim de provocar mudanças nas estruturas." Carlos Eduardo Cardozo (Cadu)

Estimados leitores/as. Ficarei feliz aos que depois de lerem enviarem suas críticas para podermos ampliar e melhorar a reflexão que nesta obra é realizada. Pois a cada dia surgem novos desafios na educação dos filhos e nos candidatos a Vida Religiosa e Sacerdotal que nos impulsionam na busca do conhecimento e da verdade.

Aos interessados em adquirir o livro, eis o link. Neste valor está embutido o frete por carta registrada com envio para todo o país. A venda é segura, realizada pelo site PagSeguro do Uol.


Link para compra!

Aos que forem comprar pessoalmente no COV Nazaré, não incidirá os encargos.

15 de dezembro de 2017

Arcebispo de Porto Alegre conclama cristãos e população a luta em Defesa da Soberania Nacional

Em período não distante da história, a Igreja Católica levantou sua voz para restabelecer a democracia. Em período recente, envidou esforços para aprovar a legislação da ficha limpa para inaugurar uma necessária reforma política e para o combate à corrupção. É preocupante o descrédito da política, o avanço da corrupção e a dilapidação do patrimônio nacional. Assiste-se a entrega das riquezas naturais à exploração desenfreada de empresas multinacionais, que olham para nossos bens naturais apenas com o olhar da ganância e da avareza. O patrimônio natural do Brasil é dos brasileiros. Urge encontrar caminhos para a defesa do bem comum e do resgate da dignidade dos empobrecidos e desprotegidos.  Neste momento de descrédito total de expressões significativas da classe política e de mandatários da nação, é necessário unir esforços, porque “sentimos a necessidade de reabilitar a dignidade da política “. Como alerta o Papa Francisco, em recente manifestação sobre a política na América Latina, “há necessidade de novas forças políticas, que brilhem pela sua ética e cultura; que façam uso do diálogo democrático; que conjuguem a justiça com a misericórdia; que sejam solidárias com o sofrimento e as esperanças dos povos latino-americanos. Precisamos de crescimento industrial e tecnologia sustentável; precisamos de políticas corajosas para enfrentar o desafio da pobreza, da desigualdade, da exclusão e do subdesenvolvimento. Isso não pode ser alcançado com a entrega do patrimônio natural brasileiro e submetendo a soberania nacional aos interesses do capital especulativo mundial.  Sejamos defensores dos ideais da cidadania, da esperança e da soberania da população sobre o uso adequado do patrimônio do país, para que esteja à serviço do bem comum.

Dom Jaime Spengler  –      Arcebispo de Porto Alegre

14 de dezembro de 2017

ESTAI SEMPRE ALEGRES

Estimados irmãos e irmãs. Caminhando rumo ao santo Natal, estamos no terceiro Domingo. Aumenta a expectativa com o que está por vir e eis que está próximo. Vamos celebrar juntos com toda a comunidade para nos animarmos na fé e assim vivermos bem a preparação. Acendemos a terceira vela da coroa do Advento de cor rósea, simbolizando e manifestando a nossa alegria pelo Natal que se aproxima.

Cuidemos para que a preparação ao Natal não seja apenas externa, como se fosse um acontecimento qualquer. Devemos antes de tudo, como já viemos refletindo, preparar bem o nosso coração. O comércio encheu as prateleiras de produtos para serem vendidos. Empresas investem em espetáculos com papai-noel e outros shows, mas isso não é o verdadeiro sentido e espírito de Natal. Natal é memória do nascimento de Jesus Cristo. Nosso Deus, nosso Salvador veio morar entre nós.

Os apelos à conversão continuam fortes na Palavra de Deus. Em todos os tempos foi e será preciso lembrar as pessoas que precisamos de conversão. Mesmo que esse clamor, para muitos, parece estar ultrapassado. Não existe santidade sem conversão e mesmo quando estamos no caminho do Senhor, todos os dias precisamos estar atentos e vigilantes para não nos perdermos do foco da nossa vida.

Gostaria de frisar aqui que este caminho, apesar de ser muito exigente, pois muitas vezes temos que lutar contra muitas coisas que gostamos e queremos fazer, mas que não convém, deve ser trilhado na alegria. Sim! Na alegria que vem do encontro “pessoal com Jesus Cristo”, como nos diz o Papa Francisco, e que ninguém pode tirar. Vale repetir: alegria do encontro. Só quem encontra um tesouro sabe a alegria que sente. Só quem verdadeiramente se encontra com Cristo, sente uma grande e inexplicável alegria que brota deste encontro e nunca acaba.

Este mesmo apelo a Palavra de Deus nos faz neste Domingo (2ª Leitura: 1Ts 5,16-24). Assim inicia a Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: “Irmãos: Estai sempre alegres!” Os apóstolos viviam alegres mesmo quando sofriam perseguições porque a alegria deles vinha de Jesus Cristo. Mesmo passando pela Cruz, eram alegres porque não dependiam das coisas do mundo para serem felizes.

Quantas pessoas tem muito e são infelizes, amarguradas, deprimidas. Quantos tem pouco, mas por terem Jesus no coração, tem tudo e são alegres. Precisamos aprender com os simples que não precisamos de muito para ser feliz e que felicidade não está na posse das coisas, mas no amor.

São Paulo continua com outras exortações: “Rezai sem cessar”! Como é importante rezar. Precisamos ‘reacreditar’ (acreditar de novo) na força da oração. Não podemos abandona-la só porque as coisas não acontecem no ritmo que queremos e desejamos. Quem reza sempre, aprende e sabe da importância que a oração tem na nossa vida e que viver sem ela não é a mesma coisa.

Temos outros elementos que merecem ser destacados: “Daí graças em todas as circunstâncias”! Verdade. Precisamos ter um coração agradecido por todas as bênçãos, graças e benefícios que de Deus recebemos. Tudo provém dele e é para a sua glória que deve ser usado.

Para vivermos nesta alegria e sempre dando graças a Deus, o apóstolo nos lembra ainda que não devemos apagar o espírito, pois é ele que dá a vida em nós. É ele que nos anima na caminhada. Ainda precisamos estar atentos as profecias, a voz da Igreja, pois ela nos orienta, como mãe solícita, para não nos desviarmos do caminho, termos forças e discernimento para nos afastarmos de toda “espécie de maldade”.

Então deixemos “que o próprio Deus da paz nos santifique totalmente, e que tudo aquilo que somos – espírito, alma e corpo – seja conservado sem mancha para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo!”

Preparemos nosso coração para o encontro com a verdadeira alegria, Jesus Cristo.

O Senhor nos abençoe e proteja.

Saudações,
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

13 de dezembro de 2017

Poema de verbos 2: AMOR

Amar o amor que nos amou
Porque sem ele nada podemos ser
O amor nos envolve e transforma 
Por ele vale a pena viver

Viver pra amar com o amor
Que fomos e somos amados
Porque o amor tudo vence
Não nos deixa derrotados

Agora que sabemos que o amor
É tudo do que precisamos
Então não deixe passar
Ame com o amor com que és amado

Amou, ame, amarás, amaremos 
Mas o amor não amarra ninguém.
Ele é liberdade eterna
O amor é a essência de Deus! Amém!