25 de abril de 2018

EU SOU A VIDEIRA E VÓS OS RAMOS

Estimados irmãos e irmãs. Caminhamos já no 5º Domingo do Tempo Pascal. O ressuscitado que sempre caminha conosco, também nos instrui na verdade, para não nos desviarmos do caminho. Neste Domingo o Senhor apresenta-se como o verdadeira videira sem a qual não podemos produzir frutos de bem.

Jesus utiliza-se de elementos simples para ensinar sua mensagem a fim de que todos compreendam, conheçam e vivam. No santo Evangelho de hoje (Jo 15,1-8) diz que nós somos os ramos e Ele é a videira. Fora dele não temos vida.

Você já viu um galho de qualquer planta sobreviver fora do tronco? Pode até permanecer verde por uns dias enquanto estiver com água. Porém, somente a água não basta. Ele precisa de outros nutrientes para continuar crescendo e se desenvolvendo e como lhe faltam, morre. Somente água, não basta. Assim na nossa vida. Não basta uma coisa. Temos que buscar vários elementos para que nossa fé não morra.

Assim, queridos irmãos e irmãs, acontece conosco. Toda pessoa que é batizada, fica atrelada ao tronco que é Jesus Cristo e a sua Igreja. Quando ela quer se apartar de Deus e da Igreja começa a definhar e corre o risco de morrer se não for socorrida. Isso porque lhe falta a seiva verdadeira que só Deus pode dar. Quando nos referimos a vida, não falamos apenas do aspecto físico, mas especialmente da salvação eterna.

Não podemos pensar que Deus nos quer escravos executando suas ordens. Não! Ele nos ensina que quando estamos longe dele, somos contaminados pelas tentações e fraquezas humanas e mundanas e assim acabamos ficando sem o canal da graça. O pecado nos engana fazendo pensar que podemos caminhar sozinhos; que não precisamos depender de ninguém. Esta tentação está cada vez mais forte e presente no mundo atual. Quantos dizem que não precisam da Igreja para buscar a Deus. Outros ainda dizem que não precisam de Deus porque sabem o que fazer. Pobres ignorantes. Precisam da nossa oração e da misericórdia de Deus.

No versículo 5 encontramos justamente esta colocação de Jesus: “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. Ele deixa bem claro: ‘sem Ele nada podemos fazer’; nada de bom pode sair de nós mesmos. O bem que fazemos é o amor de Deus agindo em nós. Permanecer unido a Ele é alimentar esta semente para que ela cresça e se multiplique.

O que acontecerá com os ramos secos, aqueles que não produzem frutos? “Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados” (v. 6). Porque a missão que o Senhor nos confia é a de produzirmos muitos e abundantes frutos de justiça e vida.

Como então podemos saber se estamos unidos e Ele e se estamos produzindo frutos? A resposta nos vem da Palavra de Deus (2ª leitura: 1Jo 3,18-24): “Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!” Quando estamos unidos a Deus, amamos as pessoas sem fingimento e buscamos a promoção da verdade e da vida em tudo o que fizermos.

Todos os batizamos são convidados a estas atitudes. Não podemos pensar e agir diferente. Permanecer unido a Ele é transformar todas as nossas inquietações e imperfeições para que em tudo manifestemos o amor de Deus por nós e pela humanidade.

Discípulos missionários comprometidos com a vida que brota do coração de Deus.

Abençoada semana.

Saudações,
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

19 de abril de 2018

A Igreja Católica é a MAIOR obra caritativa do mundo.Veja os números.


População mundial: 7.160.739.000
Número de católicos: 1.272.281.000
Bispos: 5.237
Sacerdotes: 415.792

A Igreja Católica mantém na:

ÁSIA
1.076 - - Hospitais
3.400 - Dispensários
330 - Leprosários
1.685 - Asilos
3.900 - Orfanatos
2.960 - Jardins de infância

ÁFRICA 
964 - Hospitais 
5.000 - Dispensários
260 - Leprosários
650 - Asilos
800 - Orfanatos
2.000 - Jardins de infância

AMÉRICA
1.900 - Hospitais
5.400 - Dispensários
50 - Leprosários
3.700 - Asilos
2.500 - Orfanatos
4.200 - Jardins de infância

OCEANIA
170 - Hospitais
180 - Dispensários
01 - Leprosario
360 - Asilos
60 - Orfanatos
90 - Jardins de infância

EUROPA
1.230 - Hospitais
2.450 - Dispensários
4 - Leprosários
7.970 - Asilos
2.370 - Jardins de infância

“EU DOU MINHA VIDA PELAS OVELHAS”

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Reunimo-nos como comunidade ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia para celebrar a nossa fé. Somos a Igreja peregrina que reza unida a Igreja celeste pela santificação do mundo. Queremos que todos os filhos de Deus sejam conduzidos a Pátria celeste onde Ele mesmo será tudo em todos.

Neste quarto Domingo da Páscoa a Igreja nos convida a refletirmos sobre Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. Só Ele tem o poder de doar a sua vida por aqueles que ama. Faz isso porque quer, porque ama a todos indistintamente.

Vemos crescer de novo uma perseguição contra a Igreja e as pessoas que fazem o bem. Grupos, governos, entidades sentem-se incomodados pelo serviço que a Igreja presta as classes menos favorecidas e tem travado certa perseguição para tentar calar estas vozes proféticas.

Assim como Pedro, cheio do Espírito Santo, (1ª Leitura At 4,8-12) disse, nós precisamos continuar dizendo: “Chefes do povo e anciãos: hoje estamos sendo interrogados por termos feito o bem a um enfermo e pelo modo como foi curado. Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, — aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos — que este homem está curado, diante de vós”.

Jesus continua sendo crucificado nos pobres, enfermos, marginalizados, carentes e quando a Igreja quer os defender ou ajudar a restaurar a sua dignidade, é acusada e apedrejada, inclusive, infelizmente, por alguns que ainda se dizem católicos. Esquecem de cuidar da família a qual pertencem. Falam daquilo que não fazem. Falam, na verdade, de si próprios.

Devemos continuar nossa missão de pastoreio para que o amor de Deus seja mais conhecida. Podem calar um e outro, mas não calarão Jesus Cristo. Ainda que calem homens e mulheres que lutam pela justiça, as próprias pedras falarão, denunciarão, como nos diz a escritura (Lc 19,40).

Quando Jesus, como pedra principal, não é o fundamento da vida e das instituições, a vida de ninguém é valorizada e respeitada. Continuaremos assistindo, talvez em proporções maiores, cenas de violência, agressão, ofensas. Mas isso não pode desanimar os filhos de Deus na promoção do bem.

Difícil as vezes é aceitar estes filhos de Deus como irmãos. Mas não depende de nós. Pois todos, inclusive estes perseguidores, são filhos de Deus. São João, na 2ª Leitura de hoje (3,1-2) nos lembra justamente isso: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” Porém, alerta: “Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai”. Os filhos de Deus que não conhecem o seu amor por nós, continuarão fazendo barbáries contra os outros filhos de Deus. Precisamos clamar os céus pela misericórdia de Deus.

Neste quarto Domingo também somos convidados a rezar pelas vocações. A missão do bom Pastor precisa se perpetuar naqueles que dele receberam esta missão ministerial. Rezemos então pelo Papa, pelos Cardeais, Bispos, Sacerdotes, Religiosos e Religiosas que tem esta missão específica de serem como o bom Pastor doando sua vida para que todos tenham vida.

Deus abençoe nossa semana!

Saudações

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

11 de abril de 2018

“NO SEU NOME SERÃO ANUNCIADOS A CONVERSÃO E O PERDÃO DOS PECADOS A TODAS AS NAÇÕES”

Estimados irmãos e irmãs. Quanta alegria o Senhor nos concede ao fazer-nos participar da atualização do sacrifício da Cruz, que é a santa Missa. Em cada uma delas somos abençoados abundantemente, pois o próprio Cristo se dá como alimento para nossa caminhada rumo ao paraíso. Como você tem participado deste ato em que celebramos o mistério da nossa fé?

Continuamos refletindo sobre a ressurreição do Senhor, ponto que fundamenta a nossa fé. Cremos em Cristo ressuscitado, vencedor e com Ele e por Ele somos conduzidos a vitória sobre este mundo e o pecado. Este caminho se dá pela vivência dos valores evangélicos ensinados pela sua Palavra e pela Igreja que recebeu dele o poder de interpretar as Escrituras e nos instruir. Pois, como nos diz São João (1Jo 2,1-5ª - 2ª Leitura), “quem diz: “Eu conheço a Deus”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele”. Conhecemos a Deus através da sua Palavra, dos ensinamentos da Igreja e pela Eucaristia bem celebrada e vivida no cotidiano como doação e comunhão com Deus e com os irmãos.

Instruídos pela Palavra, gravando-a em nosso coração, seremos provocados à uma vida de retidão. O Senhor convoca todos para que se convertam e confessando, reconhecendo seus pecados e limitações, peçam perdão e sejam conduzidos a Salvação eterna (Evangelho Lc 24,35-48). Torna os discípulos, e hoje todos os batizados, testemunhas de tudo isso; testemunhas de todas as maravilhas que o Senhor realizou em nosso favor, testemunhas alegres da misericórdia.

Pedro, também assim exorta aos destinatários da sua mensagem: “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados” (1ª Leitura At 3,13-15.17-19). Caminho permanente de todo batizado, pois diariamente somos confrontados com situações que querem nos afastar dos caminhos do Senhor.

Queridos irmãos e irmãs. Cristo Jesus fez sua parte ao aceitar o plano do Pai. Aceita-lo em nossa vida é viver tudo o que Ele nos ensinou. Não basta dizer, gritar que cremos. É necessário transformar nossa fé em obras. Mas não são as obras que nos salvam. Elas manifestam que somos de Deus. Quem nos salva, é a sua graça. Não existe outra forma, nada que possamos oferecer que justifique nossos pecados. Só a graça e a misericórdia de Deus. Crer e viver é o caminho.

As vezes deixamos que a dúvida, o medo, as incertezas tirem a paz do nosso coração. Vale para nós a chamada de atenção que Jesus dá aos discípulos: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração?” Não precisamos mais de nenhuma prova que Deus nos ama. Tudo o que Ele já fez por nós manifestam o quanto somos amados e queridos por nosso Deus. A dúvida, o medo, as preocupações excessivas, as incertezas são típicas de uma pessoa que tem pouca fé. Quando cremos em Deus, sabemos que Ele cuida de nós; vivemos em paz e somos instrumentos da paz. E quando Ele cuida de nós, não temos nada a temer, pois ninguém pode nada contra Ele. Claro que não podemos ser ingênuos a ponto de nos expormos a eventos perigosos e querermos que Deus nos livre em um passe de mágica.

Cada dia precisamos fortalecer a nossa fé no ressuscitado por meio da sua Palavra e de modo especial, da Eucaristia.

Abençoada semana!

Saudações,
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

31 de março de 2018

Feliz Páscoa!


Amigos e amigas!
Grande nossa alegria poder celebrar mais uma vez a Páscoa, a maior de todos as festas da nossa Igreja.
Com ela somos renovados e fortalecidos em nossa fé.
Cristo ressuscitado continua caminhando a nossa frente nos conduzindo ao céu!




29 de março de 2018

EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA

Estimados irmãos e irmãs. A graça e a misericórdia de Deus estejam com todos nós. O amor de Deus nos envolve na totalidade e nos faz compreender melhor a dimensão do sacrifício que Ele fez pela nossa Salvação. Vamos mergulhar no silêncio contemplativo destes dias.

Vamos olhar para a riqueza do Tríduo Pascal o qual nos remete e introduz no mistério salvífico. Podemos entender a ressurreição de Jesus olhando para a sua vida e para a cruz. Papa Francisco sabiamente nos disse: “Quem foge da Cruz foge da Ressurreição” (28/03/2018). Logicamente falando, só ressuscita quem morre. Então não podemos negar a Cruz de Cristo e não podemos fugir da cruz que temos que carregar. Precisamos pedir forças a Deus e muita sabedoria para não desanimar e nem murmurar.

Na quinta-feira Santa celebramos na missa da Ceia do Senhor a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, pois eles estão intimamente ligados e o sacerdócio sacramental existe em função da Eucaristia. Jesus quis encontrar uma forma visível de permanecer na sua Igreja. Encontrou-a no alimento de cada dia, o PÃO. Assim podemos ver, comungar, adorar, contemplar a presença de Jesus. Grande deve ser sempre a nossa alegria em poder receber Jesus na Eucaristia.

A Eucaristia nos remete ao serviço. Jesus quando ainda estava à mesa com os apóstolos, depois que instituiu a Eucaristia, lavou os pés dos que estavam aí. Pedro não compreende e reage ao gesto de Jesus. Judas, mesmo sendo o traidor, tem os pés lavados pelo Mestre. O Senhor nos ensina que todos os seus seguidores, cristãos, devem imitar seus gestos e sem fazer distinção de pessoas. Jesus poderia ter pensado ou até falado: ‘como Judas vai me trair, não vou lavar os pés dele’. Deus não pensa assim. Ele quer que todos sejam salvos e derrama bênçãos sobre todos indistintamente. Cabe a cada um acolher estas bênçãos na vida e deixa-las frutificar.

Ao final Jesus pergunta se eles tinham compreendido o que Ele acabava de fazer. Muitos certamente não, assim como nós não compreendemos ainda hoje. Ele continua dizendo que se ele Mestre e Senhor fez isso, nós também devemos fazer. Fica o compromisso para todos nós.

Ao final desta missa não realizamos a bênção tradicional porque a celebração continua na sexta-feira Santa e terminará no Sábado com a solene proclamação da Páscoa. Por isso somos convidados ao silêncio e a contemplação. Silêncio porque o Filho de Deus está no silêncio; Silêncio porque o mundo tenta calar a voz de Deus que denuncia, fala, ensina. Só quem silencia é capaz de entender o amor.

Neste dia em que narramos a Paixão do Senhor, Adoramos sua Cruz com amor e reverência, também rezamos por toda a humanidade e suas necessidades. O amor de Deus é por todos e para todos. Ele quer que todos sejam salvos. A Igreja reza por isso e clama sua misericórdia.

Ainda continuamos em silêncio e na expectativa do que acontecerá. Para os discípulos este dia foi de dor e reflexão. Eles se perguntavam: o que será agora? Hoje sabemos que celebraremos a Páscoa, mas para eles isso ainda não estava muito claro. Alguns inclusive desistem e tristes querem voltar para o que eram e faziam antes.

Jesus, cumprindo a sua promessa, ressurge das trevas, da morte. Mostra a sua vitória. É glorificado pelo Pai pela sua humilde obediência. Não entra na dinâmica daqueles que queriam espetáculo porque o projeto era outro e Ele veio para cumprir fielmente os projetos do Pai. Na alegria e surpresa da ressurreição, Ele vai envolvendo os discípulos que imbuídos do Espírito Santo tornam-se grandes missionários. Eles testemunharam a Cruz e agora podem testemunhar a ressurreição. Esta alegria é tão grande que eles não tem mais medo da cruz.

Assim na Vigília Pascal, abençoamos o fogo novo. Jesus é essa luz que nos ilumina. Com ele caminhamos iluminados. Abençoamos e acendemos o Círio como sinal visível da ressurreição e do ressuscitado. Caminhamos guiados por ele e assim podemos solenemente proclamar a Páscoa, a vitória de Cristo. Escutamos na Liturgia da Palavra tudo o que Deus fez na história e que culmina na pessoa de Jesus Cristo. Foram séculos de caminhada e manifestando o amor. Abençoamos a água que será usada para o Batismo. Renovamos nossas promessas batismais indo até a pia batismal ou com a aspersão. Pela água do Batismo fomos salvos e nos tornamos filhos de Deus para sempre.

A Páscoa é a maior de todas as festas cristãs porque foi por ela que nos foi garantida para sempre a salvação. O Papa Francisco nos recordou em sua Catequese semanal que “a Páscoa é a festa da nossa salvação, a festa do amor de Deus por nós, a festa, a celebração da sua morte e ressurreição” (28/03/2018).

Com tudo isso poderemos, assim como as discípulas de Cristo, suas amigas e irmãs de caminhada, testemunhar que o túmulo está vazio e proclamar que Ele não está mais sob o domínio dos homens, mas que ressuscitou. Elas o viram e tomadas de alegria renovada, correm para anunciar esta grande novidade. Muitos inicialmente não acreditaram porque até então isso não tinha acontecido. Mas depois vão lembrando tudo o que Jesus falou e encontram significado nas suas Palavras. O que Ele proclamou, está se cumprindo. Assim creem e se deixam envolver por esta alegria. Por uma mulher o Salvador se encarnou. Pela boca das mulheres, Ele foi anunciado como ressurreto!

Assim, amados irmãos e irmãs, podemos também nós proclamar a alegria da ressurreição. Vamos com Jesus e Ele nos conduzirá para a vida, para a vitória final.

Abençoado Tríduo Pascal.

Saudações
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

25 de março de 2018

Catequese do Papa Francisco: ritos iniciais da Missa


CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano


Queridos irmãos e irmãs!

Hoje gostaria de entrar no vivo da celebração eucarística. A Missa é composta de duas partes, que são a Liturgia da Palavra e a Liturgia eucarística, assim estritamente ligadas entre si de modo a formar um único ato de culto (cfr Sacrosanctum Concilium, 56; Instrução Geral do Missal Romano, 28). Introduzida por alguns ritos preparatórios e concluídas por outros, a celebração é, portanto, um único corpo e não se pode separar, mas para uma compreensão melhor, procurarei explicar os seus vários momentos, cada um dos quais é capaz de tocar e envolver uma dimensão da nossa humanidade. É necessário conhecer estes santos sinais para viver plenamente a Missa e saborear toda a sua beleza.

Quando o povo está reunido, a celebração se abre com os ritos introdutivos, compreendidos o ingresso dos celebrantes ou do celebrante, a saudação – “O Senhor esteja convosco”, “A paz esteja convosco” – o ato penitencial – “Eu confesso”, onde nós pedimos perdão pelos nossos pecados – o Kyrie eleison, o hino do Glória e a oração coleta: chama-se “oração coleta” não porque ali se faz a coleta das ofertas: é a coleta das intenções de oração de todos os povos; e aquela coleta de intenção dos povos se eleva ao céu como oração. O seu escopo – destes ritos introdutivos – é fazer com que “os fiéis, reunidos, formem uma comunidade e se disponham a escutar com fé a Palavra de Deus e a celebrar dignamente a Eucaristia” (Instrução Geral do Missal Romano, 46). Não é um bom hábito olhar para o relógio e dizer: “Estou em tempo, chego depois do sermão e com isso cumpro o preceito”. A Missa começa com o sinal da Cruz, com estes ritos introdutivos, porque ali começamos a adorar Deus como comunidade. E por isso é importante prever não chegar atrasado, mas sim antecipado, para preparar o coração a este rito, a esta celebração da comunidade.

Enquanto normalmente se desenvolve o canto de entrada, o sacerdote com os outros ministros chega em procissão ao presbitério e aqui saúda o altar com uma inclinação e, em sinal de veneração, beija-o e, quando há o incenso, incensa-o. Por que? Porque o altar é Cristo: é figura de Cristo. Quando nós olhamos para o altar, olhamos justamente para onde está Cristo. O altar é Cristo. Estes gestos, que arriscam passar despercebidos, são muito significativos, porque exprimem desde o início que a Missa é um encontro de amor com Cristo, o qual “oferecendo o seu corpo na cruz […] torna-se altar, vítima e sacerdote” (prefácio pascal V). O altar, de fato, enquanto sinal de Cristo, “é o centro da ação de graças que se realiza com a Eucaristia” (Instrução Geral do Missal Romano, 296), e toda a comunidade em torno do altar, que é Cristo; não para olhar a face, mas para olhar Cristo, porque Cristo está no centro da comunidade, não está distante dessa.

Há depois o sinal da cruz. O sacerdote que preside o traça em si e o mesmo o fazem todos os membros da assembleia, conscientes de que o ato litúrgico se realiza “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. E aqui passo a um outro assunto bem pequeno. Vocês viram como as crianças fazem o sinal da cruz? Não sabem o que fazem: às vezes fazem um desenho, que não é o sinal da cruz. Por favor: mamãe e papai, avós, ensinem as crianças, desde o início – de pequeninos – a fazer bem o sinal da cruz. E expliquem-lhes que é ter como proteção a cruz de Jesus. E a Missa começa com o sinal da cruz. Toda a oração se move, por assim dizer, no espaço da Santíssima Trindade – ‘Em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo’ – que é espaço de comunhão infinita; tem como origem e como fim o amor de Deus Uno e Trino, manifestado e doado a nós na Cruz de Cristo. De fato, o seu mistério pascal é dom da Trindade, e a Eucaristia sempre brota do seu coração ferido. Marcando-nos com o sinal da cruz, portanto, não só fazemos memória do nosso Batismo, mas afirmamos que a oração litúrgica é o encontro com Deus em Jesus Cristo, que por nós se encarnou, morreu na cruz e ressuscitou glorioso.

O sacerdote, portanto, dirige a saudação litúrgica, com a expressão: “O Senhor esteja convosco” ou uma outra similar – há muitas – ; e a assembleia responde: “Ele está no meio de nós”. Estamos em diálogo; estamos no início da Missa e devemos pensar no significado de todos esses gestos e palavras. Estamos entrando em uma “sinfonia” na qual ressoam várias tonalidades de vozes, compreendidos tempos de silêncio, em vista de criar o “acordo” entre todos os participantes, isso é, de reconhecer-se animados por um único Espírito e por um mesmo fim. De fato, “a saudação sacerdotal e a resposta do povo manifestam o mistério da Igreja reunida” (Instrução Geral do Missal Romano, 50). Exprime-se, assim, a comum fé e o desejo recíproco de estar com o Senhor e de viver a unidade com toda a comunidade.

E esta é uma sinfonia orante, que se está criando e logo apresenta um momento muito tocante, porque quem preside convida todos a reconhecer os próprios pecados. Todos somos pecadores. Não sei, talvez alguém de vocês não é pecador…Se alguém não é pecador, levante a mão, por favor, assim todos vemos. Mas não há mãos levantadas, tudo bem: vocês têm boa fé! Todos somos pecadores; e por isso no início da Missa pedimos perdão. É o ato penitencial. Não se trata somente de pensar nos pecados cometidos, mas muito mais: é o convite a confessar-se pecadores diante de Deus e diante da comunidade, diante dos irmãos, com humildade e sinceridade, como o publicano no templo. Se realmente a Eucaristia torna presente o mistério pascal, vale dizer a passagem de Cristo da morte à vida, então a primeira coisa que devemos fazer é reconhecer quais são as nossas situações de morte para poder ressurgir com Ele à vida nova. Isto nos faz compreender quanto é importante o ato penitencial. E por isso retomaremos o assunto na próxima catequese.

Vamos passo a passo na explicação da Missa. Mas eu recomendo: ensinem bem às crianças a fazer o sinal da cruz, por favor!

Quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Boletim da Santa Sé
Tradução livre: Jéssica Marçal (Canção Nova)

22 de março de 2018

BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR

Estimados irmãos e irmãs. Chegamos ao Domingo de Ramos e com ele o início da semana mais importante para todos os cristãos: a Semana Santa. Santa porque Deus santificou com seu gesto extremo de amor para a salvação de todos nós seus filhos e filhas. Reunimo-nos para celebrar juntos este mistério de fé.

Neste Domingo, a liturgia nos apresenta dois Evangelhos. O primeiro (Mc 11,110), a ser narrado logo depois da bênção dos ramos, faz memória da entrada de Jesus em Jerusalém. Jesus já tinha se tornado muito conhecido. Como bom judeu, ele deveria ir a Jerusalém para celebrar a Páscoa. Porém, esta seria uma Páscoa diferente. O povo simples o acolhe com carinho, pois tinham grande respeito e veneração por Ele, mas os “sumos sacerdotes e os mestres da Lei” (Mc 14,1) já estavam tramando algo para prender e matar Jesus pois ele os tinha confrontado muitas e muitas vezes (Narração da Paixão Mc 14,1-15,47). Jesus não tinha a intenção de provocar tumulto. Queria mostrar que os que detinham o poder religioso tinham se desviado da conduta correta e ainda utilizavam-se deste poder para fazer o povo sofrer. 

Jesus sabia que o tempo já tinha se completado (assim como em Mc 1,1) e que a hora de voltar para o Pai tinha chegado. A missão dele estava sendo levada a consumação. Acolhe com humildade, mesmo sentindo a dor e sabendo do que o esperava, as consequências de tudo o que fez e pregou. Ele havia provocado os poderosos e por isso iria ser condenado. Ainda hoje (e também antes de Jesus) as cenas continuam a se repetir. Aqueles que denunciam os erros cometidos contra a justiça e a vida geralmente tem que pagar com a própria vida. A humanidade não aprendeu a lição e continua condenando muitos a morte. Quanta dor poderia ser evitada se houvesse mais amor. 

Jesus aceita a condenação imposta a Ele e pede que a partir daquele momento não se façam mais sacrifícios, especialmente humanos. Mas, como nos lembra a própria Palavra de Deus, se fizeram isso com o Mestre, o que não farão com os discípulos? Mesmo vendo muitos morrendo pela fé ou defendendo a vida, não podemos nos calar porque Jesus venceu tudo e nos torna participantes desta vitória que vai além deste mundo e do que podemos compreender e abarcar.

Além de sofrer as torturas, ser crucificado, ainda zombaram dele. Querem um espetáculo. Na verdade o espetáculo acontecerá, mas não quando eles querem. Jesus ressuscitará e manifestará para sempre que ninguém tem poder sobre Ele. Aceitou com silêncio a cruz porque sabia que deste gesto de entrega e amor dependia a salvação da humanidade. Ressuscita vencedor porque se entregou nas mãos do Pai que o glorificou para sempre.

Queridos irmãos e irmãs. Esta semana somos convidados a estar mais perto da Cruz de Cristo. Contemplar este mistério de amor. Agradecer ao Senhor por ter feito tanto pela nossa salvação. Viver esta semana no silêncio e na oração para estar mais perto de Deus.

Caminhemos com Cristo carregando nossa cruz sem murmurar. Ele nos aguarda para a feliz ressurreição.

Abençoada semana

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

15 de março de 2018

QUANDO EU FOR ELEVADO DA TERRA, ATRAIREI TODOS A MIM

Estimados irmãos e irmãs. Graça e paz! Bom continuarmos nosso caminho em direção a Páscoa do Senhor. Neste caminhar, assim como o povo de Israel, nós também sentimos cansaço, medo, preguiça de sermos perseverantes e fieis ao Senhor. Porém, nosso Deus em sua misericórdia nos acompanha, orienta, fortalece, consola, anima. Vamos caminhar porque Ele está conosco. Depois deste período de êxodo, chagaremos a pátria definitiva. 

Em Jesus, Deus Pai realiza uma nova aliança não mais com sacrifícios ou oferendas, mas imprimindo em nosso coração a sua Palavra, seus ensinamentos, como nos diz o Profeta Jeremias (1ª Leitura Jr 31,31-34). Assim, guardando seus ensinamentos em nosso coração, Ele torna-se o Senhor da nossa vida e nós o seu povo. Grande presente de amor que Ele nos dá.

Vejam que bonita a expressão que Deus se utiliza para falar através do Profeta: “eles serão meu povo”! Somos nós hoje o povo do Senhor! Povo eleito, escolhido, amado, conquistado e comprado com o sangue do seu Filho Jesus. Por isso, é dever nosso (de todos os batizados) viver como povo de Deus. Sendo assim, todos nós temos a obrigação de transformar a vida das pessoas que ainda sofrem pelas injustiças causadas pelo egoísmo, ganância e omissão de muitos.

Outro aspecto que queremos refletir neste 5º Domingo da Quaresma é aquilo que nos é apresentado na Carta aos Hebreus: a obediência a Deus. Esta obediência, como nos diz o autor, as vezes é aprendida na dor, pois é difícil renunciar a vontade própria para assumir, acolher e realizar a vontade dos outros. Jesus nos dá esta grande lição: obedecer! A obediência, disseram muitos santos, gera milagres. Por ser obediente ao Pai, Cristo aceitou sofrer pela nossa salvação. Uma obediência dolorida que garantiu vida eterna para todos.

No Evangelho, retomamos a cena do Domingo passado, onde Jesus dizia que Ele seria levantado assim como a serpente no deserto. Hoje, no Evangelho narrado por São João (Jo 12,20-33), aparece a mesma imagem ao dizer: “quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim”.

Jesus tem o poder de atrair todos para Ele. Não é obrigação, mas atração. Ou seja, Ele faz tantas coisas bonitas para nos conquistas e convencer do seu amor por nós. Não nos obriga a aceitar, mas ama gratuitamente. Porém é preciso aceitar que o seu amor penetre em toda a nossa vida. Acolher a sua Palavra, como nos convida o Profeta Jeremias é o primeiro passo para acolher definitivamente a salvação que nos é oferecida no Filho de Deus.

Celebraremos juntos nossa fé rumo a Páscoa ao participarmos da santa Missa, como dever de filhos agradecido a Deus pelo seu amor.

Saudações!
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

13 de março de 2018

A DIFERENÇA ENTRE IR A IGREJA E IR AO TRABALHO

Ao trabalho
1. Bem vestido
2. Vai cinco ou seis dias da semana
3. Chega cedo para não receber advertência
4. Se está com gripe, vai
5. Se está com febre, vai
6. Se está chovendo, também vai
7. Se está calor, vai
8. Se está deprimido, vai
9. Se brigou com o marido / esposa, vai
10. Se tem um compromisso, vai depois do seu horário.

A Igreja
1. Coloca qualquer roupa
2. Uma vez por semana, e olhe lá.
3. Chega atrasado
4. Se está gripado, não vai
5. Se está com febre, não vai.
6. Se está chovendo, é uma boa desculpa para não ir...
7. Se está calor, chega tarde... No amém. Se está frio, prefere ficar em casa;
8. Se está deprimido, não vai.
9. Se brigou com seu marido / esposa, não vai
10. Se tem um compromisso, a igreja pode esperar.

Pequenas ideias de como Evangelizar

“Não evangelizes para viver. Viva para evangelizar.” (Santo Agostinho)

1. Seja gentil! Quando pescarmos homens, temos que ser especialmente cuidadosos para não espantar a pesca. “O sábio conquista as pessoas” (Pr 11,30).

2. Seja paciente! O viticultor no EVANGELHO disse ao proprietário: “SENHOR, deixa-a ainda este ano: eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo. Talvez depois disso dê frutos…” (cf. Lc 13,8b – 9).

3. Cuidado com todos! Mantendo a opção preferencial pelos pobres, devemos levar JESUS não apenas aquelas que não têm nada, mas também aqueles que têm tudo exceto a SALVAÇÃO. “Vai e anuncia o Reino de Deus” (Lc 9,60).

4. Comece com os que estão em torno de você! Alguém perguntou ao reitor de um Seminário sobre um velho jardineiro que trabalhava no jardim: “Ele vai à MISSA?”, “Não sei” foi à resposta. O questionador então exclamou: “Como é que você pode estar preparando sacerdotes, se você não mostra interesse nem em evangelizar aqueles que trabalham à sua volta?”.

5. Coloque toda a sua confiança em DEUS! Davi venceu Golias pondo de lado as armas de que outros dependiam, colocando CONFIANÇA ABSOLUTA em DEUS. Sem esta espécie de confiança, não há como vencer o mundo para JESUS DE NAZARÉ.

6. Ore! Para os evangelizadores, a oração não é apenas um detalhe: é o coração e a alma de toda evangelização. Um bom evangelizador é um bom orante “ORAI SEM CESSAR” (1 Ts 5,17).

7. Faça um esforço unido! A unidade dos apóstolos no Cenáculo ocasionou o primeiro PENTECOSTES e, daí fluiu o começo da evangelização. “Manter sempre a comunhão” (At 2,42). Aqui está o sucesso de tudo!

8. Trabalhe para IGREJA! Se não evangelizarmos pelo crescimento saudável do CORPO, como estamos – a FAMÍLIA de DEUS – vivendo como IGREJA? O que estamos fazendo para manter a IGREJA VIVA? Cristo é a Cabeça, a Igreja é Seu Corpo e nós somos PEDRAS VIVAS (1 Pd 2,5).

9. Prepare! DEUS nos envia a ANUNCIAR ao mundo inteiro a BOA NOVA. Somos obrigados a estar até mais cuidadosamente preparados do que qualquer apresentador ou comentarista. “Preparados para responder sobre a nossa fé” (1 Pd 3,15).

10. Use a linguagem certa! Siga o exemplo de como JESUS explicou delicadamente a SALVAÇÃO aos dois homens, na estrada de Emaús. Comece do princípio, falando claramente, de forma prática e bíblica, e seja humilde! O alvo é fazer morada no coração (Lc 24,32).

11. Faça de tudo! Seja ativo quanto contemplativo. Seja orante quanto apostólico! Encontrar JESUS sem sair para levá-LO aos outros no mundo, é não dar frutos. “Para irdes e produzirdes fruto” (Jo 15,16).

12. Seja corajoso! Muitas vezes, encontraremos portas fechadas, porém temos que seguir o EXEMPLO de JESUS, entrando através delas. (Ler Ap 3,20).

13. Espere a Cruz! Temos que seguir o EXEMPLO de MARIA. Ela tornou-se uma TESTEMUNHA melhor do que a maioria dos apóstolos ficando de pé com João ao pé da Cruz, vendo e participando de todos os detalhes, de como o SEU FILHO morreu por nós. Daí São Paulo Apóstolo anuncia: “Pregamos o Cristo crucificado” (1 Cor 2,2).

14. Comece! Há muitas pessoas do “Amanhã” na IGREJA. JESUS ainda era um menino quando SEUS PAIS O encontraram ensinamento no Templo. SUA EXPLICAÇÃO foi que ELE tinha que tomar conta da OBRA de SEU PAI. Temos o MESMO PAI, portanto, estamos na MESMA OBRA e não vamos esperar até amanhã.

15. Não desista! Se desistirmos, falhamos: “Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo, colhemos, se não relaxarmos” (Gl 6,9). “Sede firmes, fazei incessantes progressos na obra do Senhor, cientes de que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1 Cor 15, 58).

Anunciar o Evangelho

“Alcançais o fim da vossa fé, a saber, a salvação das vossas almas” (1 Pd 1,9).

O mundo muda a partir da transformação de ser humano pelo poder do evangelho de Cristo. Quem acredita na vida eterna tem a missão de evangelizar a maior obra do Planeta: a Obra da Redenção.

O Reino de Deus é proclamado por aqueles que têm a vida convertida pela graça e pelo poder do Espírito Santo.

A missão mais importante do cristão é falar do amor de Deus ao seu semelhante a onde quer que ele esteja.

A paz, a justiça, o amor e a salvação das almas estão na verdade do evangelho do Senhor Jesus, por isso, anunciar é uma ordem e uma obrigação dos filhos de Deus. O mundo espera sedento esse anúncio para libertação da cultura de morte.

O verdadeiro cristão tem essa consciência e os pés na missão, o falso cristão é omisso e tem os pés na perdição.

Evangelizar é sair do cerco pessoal, da preguiça, sair dos laços dos estreitos limites da família, do grupo fechado, para abrir-se para a família universal.

Sair da cultura do assento, do teclado e da imagem para falar, cantar e caminhar com o outro na alegria da maravilhosa Boa Nova de Jesus de Nazaré.

O santo evangelho de Cristo é a cultura de vida e vida plena. Pregar o evangelho é a prática obediente ao amor de Deus e ao pecador pela salvação de sua alma. Nós temos a mais poderosa mensagem para dar sentido completo ao ser humano.

Disse Jesus: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).

Pe. Inácio José do ValeProfessor de História da Igreja
Especialista em Ciência Social da Religião
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com

Nota: Pequenas ideias de como evangelizar é do Pe. Tom Forrest, (C. Ss.R). Adaptado e atualizado.

9 de março de 2018

É NECESSÁRIO QUE O FILHO DO HOMEM SEJA LEVANTADO

Estimados irmãos e irmãs. Quarto Domingo da Quaresma e a nossa expectativa com o Páscoa aumenta, pois esta grande solenidade que nos inspira, ilumina, sacia está se aproximando. Como centralidade de nossa fé, precisamos estar bem preparados para vive-la com o coração aberto para que a graça de Deus preencha todo o nosso ser. A luz do ressuscitado resplandece sobre toda a humanidade que prefere as trevas do pecado, da ignorância, da solidão. 

Vamos olhar para esta belíssima Palavra que nos é oferecida nesse Domingo, iniciando logo pelo santo Evangelho (Jo 3,14-21).

Jesus está em diálogo com Nicodemos que o procura à noite e quer escutar o Mestre. O caminho que ele faz ao encontro do Mestre é o caminho que todos nós fazemos em nosso processo de conversão. Partir das trevas (noite) para a luz (que é Jesus). Ele toma a iniciativa e vai ao encontro da vida. Este caminho todos nós precisamos fazer diariamente, ou quando estamos longe dos caminhos do Senhor.

Em seu discurso Jesus diz que o Filho do Homem precisa ser levantado, assim como a serpente fora no deserto e quem nele crer terá a vida. Jesus ao ser levantado nos faz olhar para cima, para o céu. É de lá que nos vem todas as graças e bênçãos. É preciso olhar para a Cruz, contemplar a Cruz, pois ela não é um sinal qualquer, mas sinal no amor de Deus pela humanidade. Contemplar o rosto sofrido de Jesus para sermos fortalecidos diante dos desafios que precisamos enfrentar e não desanimar. A cruz nos ensina a sermos fortes e a perseverarmos.

Da Cruz de Cristo podemos aprender muitas coisas ainda. Nos seus braços pregados, porém estendidos, Deus abraço o mundo inteiro, não só um povo. Jesus entrega sua vida na Cruz pela salvação de todos. Sua entrega é de braços abertos nas mãos do Pai que tudo conduz para o maior bem.

Vem a mente a canção Dois Riscos do Padre Zezinho. Ela nos faz refletir a dinâmica da cruz redentora de Cristo. As vezes queremos um Cristo sem a Cruz. Mas isso não é possível. A dinâmica redentora e da ressurreição, passa obrigatoriamente pela Cruz. Acompanhemos a canção e reflitamos com ela:

Feita de dois riscos é a minha cruz 
Sem esses dois riscos não se tem Jesus 
Um é vertical, o outro horizontal 
O vertical eleva, o horizontal abraça 
Feita de dois riscos é a minha cruz 
Sem esses dois riscos não se tem Jesus 

Feita de dois riscos é a minha fé 
Sem esses dois riscos religião não é 
Um é vertical, o outro horizontal 
Um vai buscar na fonte 
O outro é o aqueduto 
Feita de dois riscos é a minha fé 
Sem esses dois riscos religião não é 

Feita de dois riscos é o meu caminhar 
Sem esses dois riscos posso não chegar 
Um é vertical, o outro horizontal 
O vertical medita, o horizontal agita 
Feita de dois riscos é o meu caminhar 
Sem esses dois riscos posso não chegar 

Jesus continua: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Muitos ainda tem a visão de Deus como aquele que castiga, pune, condena, joga no inferno. Sendo isso verdade, então o discurso de Jesus não teria sentido. Ao enviar Jesus, antes dele os profetas, depois tantos santos e santas, Deus tem como meta salvar todos os seus filhos e filhas. Ele não se alegra com a condenação dos seus filhos. E faz isso por amor, porque nos ama acima de qualquer coisa, pois nos fez a sua imagem e semelhança.

O diálogo, ou melhor, a exposição de Jesus ao sedento discípulo, termina com o gesto inicial por ele feito (que não está neste trecho). Aqueles que fazem o bem, que buscam a verdade se aproximam da luz, que é Jesus. Hoje todos nós, a exemplo de Nicodemos, precisamos ir encontro desta luz verdadeira que ilumina nossa vida, nossas escolhas. Essa luz que vence as trevas e nos faz ver as coisas como de fato são. Não podemos ter medo do mundo. Ele nos amedronta, mas em Cristo, luz da luz, todos os que creem, são vencedores.

Abençoada caminha rumo a Páscoa!

Saudações!
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

2 de março de 2018

A CASA DO MEU PAI É CASA DE ORAÇÃO

Estimados irmãos e irmãs. Já estamos no Terceiro Domingo da Quaresma. Caminhamos a passos largos rumo a Páscoa. Por isso, não podemos perder tempo nesta jornada, pois o tempo se abrevia.

Continuamos sendo instruídos pela Palavra de Deus que são Palavras de vida eterna (Salmo 18). Tudo o que o Senhor nos ensina é bom, pois sua lei é “perfeita e conforto para a alma”.

No caminho que o povo de Deus fez para a terra prometida, sofreram muitas tentações. Uma delas foi de adorar falsos deuses, abandonando tudo o que o Senhor havia ensinado e esquecendo tudo o que Ele havia feito por eles. É neste contexto de desvio de conduta que temos a proibição de fabricar imagens dos deuses dos pagãos ou de qualquer outra criatura. Porque somente o Deus de Israel é o verdadeiro e merece nossa adoração.

O Senhor não quer um coração dividido. Seu povo deve ser fiel a Ele e não buscar ajuda em coisas criadas por mãos humanas. Ainda hoje o problema continua existindo. Muitos dizem que não creem em Deus mas acreditam piamente nos políticos corruptos, nas ciências, em si próprios, na força dos astros como determinantes para a existência humana. Nosso coração, nossa alma precisam de uma referência superior. Feliz quem persevera nos caminhos do Senhor.

Como acreditar em Cristo crucificado? São Paulo, quando escreve aos Coríntios (2ª Leitura – 1Cor 1,22-25), fala justamente disso: “Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado”. Muitos continuam não entendendo porque Cristo sendo Deus aceitou ser pregado na Cruz, aceitou morrer pela humanidade. Não entendem este gesto de amor e se lançam em coisas aparentemente mais esplendorosa aos nossos olhos. Porém, esse Cristo crucificado, ressuscitou e conduz a sua glória todos os que nele creem e esperam.

Quando Jesus entra no Templo de Jerusalém se depara justamente com essa confusão que continua acontecendo ainda hoje. Muitos templos ainda hoje são transformados em casa de negócio. Pessoas são extorquidas em nome de Deus, tendo que vender tudo, fazer empréstimos para sustentar ladrões que se utilizam dos momentos de fraqueza dos fieis para tirar até o sustento.

Jesus quer que o espaço reservado para a oração, seja lugar de respeito, silêncio onde as pessoas possam fazer uma verdadeira experiência do amor e da misericórdia de Deus. Por isso precisamos zelar por estes espaços mantendo-os limpos, organizados, ornamentados adequadamente.

Respeitar o lugar reservado para a oração é um dever de todos, pois foi para isso que separamos um determinado ambiente. Nossos igrejas não podem ser, como as vezes acontece, lugar de reunião, formação etc. Toda vez que nela adentrarmos, deveríamos ser levados espontaneamente a oração, ao silêncio, ao recolhimento. Pensemos como estão os nossos templos de hoje e como zelamos por eles.

Que o Senhor nos perdoe pelas tentações de colocarmos outras coisas em seu lugar e pelo desrespeito com os espaços para Ele reservados. Ajude-nos ó Pai a sermos mais zelosos; ajuda-nos a sermos mais orantes.

Abençoada semana!

Saudações,
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

23 de fevereiro de 2018

ESTE É O MEU FILHO AMADO. ESCUTAI O QUE ELE DIZ!

Estimados irmãos e irmãs. Felizes por podermos concluir mais uma semana encontrando-nos na Casa do Senhor celebrando a nossa fé. Alegria também porque temos a certeza que a nova semana será abençoada por Deus em tudo o que Ele nos conceder realizar. Então, vamos viver bem a santa missa ou a celebração da Palavra, pois é aí que somos ‘reabastecidos’ das bênçãos e graças de Deus. Encontramos forças para realizar bem a nossa missão.

O Senhor nos chama para estar com Ele assim como chamou alguns dos apóstolos e levou-os um lugar à parte, sobre uma montanha para rezar (Evangelho Mc 9,2-10). Sabemos que quando um autor sagrado fala de montanha refere-se ao lugar de encontro com Deus por excelência. Esta, por ser alta, é sinal de proximidade do céu, onde Ele tem sua morada. A Igreja é a ‘montanha’ dos tempos atuais onde podemos nos encontrar com o Senhor forma concreta e real.

Foi na montanha que o Senhor provou a fé de Abraão. Quem confia não deve temer nada, pois Deus tudo provê para os que nele esperam. A experiência de Abraão o conduziu a esta entrega total sem nada reter para si, pois já tinha compreendido que tudo provém de Deus e por Ele tudo devemos fazer.

O que Deus tem pedido para você nesta Quaresma? O que precisas renunciar, entregar, abandonar para estar mais perto dele? Em teu coração habita medo, insegurança, dúvidas? Crendo que tudo vem do Senhor, nada podemos negar a Ele. O medo é sinônimo de uma fé fragilizada, pequena, mesquinha. Quem crê, automaticamente confia e quem confia, não retém nada para si.

Como crescemos na fé? Estando com Deus! Estar com Deus é cultivar diariamente a oração, bons hábitos e costumes, praticar a caridade. Enfim, fazer aquilo que o próprio Senhor fez e mandou que fizéssemos. Não basta rezar. A oração, a fé sem obras é morta nos diz São Tiago (cf 2,26). É morta porque não nos compromete com um mundo melhor. Permanecemos apenas em nossas vontades e queremos que Deus cumpra todos os nossos desejos.

A Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos (8,31b-34) nos lembra que se Deus é por nós, quem será contra nós? Mesmo que muitos se levantem contra, não poderão vencer, pois com Deus tudo podemos. Porém, não vamos pensar que tudo podemos realizando nossos desejos infantis e de criança mimada. A fé tem que nos conduzir a santificação, do contrário é infantil e imatura.

Estamos no caminho para a Páscoa e o Senhor está conosco. Andemos na sua presença (Salmo 115) e estaremos no caminho certo.

Abençoada semana!

Saudações,
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

16 de fevereiro de 2018

CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO

Estimados irmãos e irmãs. Iniciamos o Tempo da Quaresma com a celebração da Quarta-feira de Cinzas. Este tempo que viveremos por quarenta dias, tem por objetivo preparar o nosso coração e a nossa vida para vivermos a maior de todas as festas cristãs: a Páscoa! Ela é o centro de toda a nossa vida de fé. Dela tudo parte e nela tudo culmina, pois é um evento único, salvífico, redentor.

Neste 1º Domingo a Palavra de Deus faz um grande apelo a conversão. Quantas vezes somos tentados a pensar que, pelo fato de sermos batizados, participarmos da santa Missa, rezarmos todos os dias, não precisamos de conversão. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais sentimos a necessidade de conversão, pois nem tudo na nossa vida está de acordo com a sua Palavra, com os seus projetos.

Toda vez que fazemos escolhas erradas, optando por situações de morte, nos afastamos da vontade e do amor de Deus. Neste tempo seremos continuamente convidados a vigiar e perseverar.

O evangelista São Marcos, nos lembra que Jesus também foi tentado no deserto. Em seus momentos de oração e sentindo as limitações humanas, o próprio Senhor foi tentado para nos lembrar que podemos passar por tentações em todos os momentos, mas elas são mais fortes quando estamos fragilizados física e espiritualmente. Porém, a experiência, a relação com Deus, fará com que compreendamos que podemos vencer todas as tentações. O Senhor nos dá o seu auxílio.

Com o povo de Israel, Deus fez uma aliança, colocando um arco nas nuvens (Cf 1ª Leitura Gn 9,8-15). Com o novo povo de Deus, o Senhor fez mais uma aliança, que é a Cruz. O arco representou a promessa que Deus fez em não mais mandar o dilúvio. Na Cruz se cumpre a promessa de Salvação. Por ela fomos libertados da morte eterna. As portas do paraíso foram abertas. Todos os que creem, esperam, buscam, serão salvos pela Cruz redentora de Cristo.

A arca que salvou o povo escolhido da morte, representa para nós o batismo, conforme nos diz São Pedro (1Pd 3,18-22) em sua leitura que rezamos neste Domingo. Como a arca conduziu são e salvo o povo durante o dilúvio, o Batismo nos conduz para Deus enquanto peregrinamos neste mundo onde tantas águas tentam nos afogar.

Amados irmãos e irmãs. A Campanha da Fraternidade deste ano nos convida também a superarmos a violência, pois somos todos irmãos. A superação da violência acontecerá quando de fato vivermos como irmãos, respeitando-nos, amando-nos assim como o Senhor nos amou. Não podemos aceitar e nem acreditar que as armas produzem segurança e defesa. Temos visto ao longo dos milênios que nenhuma arma garantiu a paz duradoura e a defesa da vida. Enquanto fabricarmos armas continuaremos assistindo o crescimento da violência.

Conversão é abandonar todos os sistemas que produzem morte. Aceitar Jesus é aceitar sua proposta de justiça e amor. Quando usamos o nome de Deus para fazer violência, não estamos vivendo o Evangelho e a conversão ainda não aconteceu de verdade.

Iniciamos o caminho rumo a Páscoa. O que faremos para viver melhor?

Abençoada semana!

Saudações.
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência