21 de setembro de 2017

IDE TAMBÉM VÓS PARA A MINHA VINHA

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Saudações de paz e alegria a todos desejando que as bênçãos do Deus Altíssimo estejam sobre você, sua família, seu trabalho. É muito bom partilhar a Palavra de Deus e nos encontrarmos em sua casa.

A Palavra de Deus tem um grande convite para nós neste final de semana. O Profeta Isaías (1ª Leitura Is 55,6-9) nos convida a buscar o Senhor em nossa vida. Busca-lo, porém, requer uma mudança de vida. Abraçando o Evangelho, a Palavra de Deus, precisamos abandonar todas as práticas que não condizem com esta verdade. O Senhor perdoa generosamente desde que o busquemos de coração sincero e com o propósito de mudar de vida. Aliás, como sabemos, sua Palavra é fermento de transformação que vai fazendo crescer em nós os valores do Evangelho e aniquilando tudo aquilo que não condiz com ele.

O profeta ainda reflete sobre a distância, a diferença do modo de proceder de Deus e do povo. “Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra” (Is 55,9). Essa distância, usada numa figura de linguagem, precisa ser diminuída. Os cristãos precisam pensar e realizar as coisas de Deus. Viver aquilo que o Senhor tem como proposta para seus filhos.

Temos muitos exemplos de pessoas que viveram para Deus. Entre tantas temos São Paulo. Em sua carta aos Filipenses (1,20c-24,27a) onde diz: “Para mim, viver é Cristo”! Depois continua falando daquilo que é desejo seu e daquilo que é melhor para a comunidade, colocando-se disponível à vontade do Senhor: “Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo - o que para mim seria de longe o melhor - mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo”. E conclui: “Só uma coisa importa: vivei à altura do Evangelho de Cristo”. Este é o ideal para todo cristão. Quem dera que todos pensássemos e vivêssemos assim!

No Evangelho (Mt 20,1-16a) Jesus conta uma parábola onde o patrão convida empregados para trabalharem na sua vinha. Ele faz o convite a diferentes pessoas em horários diferentes do dia. Todos os que lá trabalharam recebem a mesma recompensa. Deus dará a todos os seus filhos a mesma recompensa: o paraíso, o céu; estar junto dele. Mas isso não quer dizer que devemos relaxar na vida. Fazer as coisas de qualquer forma. Cada um de nós tem uma missão única e especial. Ninguém poderá realizar aquilo que deixarmos de lado.

Típico do ser humano querer comparar as coisas. “Eu fiz tudo isso! Você só fez aquilo? Do jeito que eu faço é o correto. Você não sabe fazer!” Mas estas justificativas não servem para Deus, pois Ele olha com quanto amor fazemos as coisas e não gosta que fiquemos nos orgulhando daquilo que fizemos. Aliás, é Ele que realiza através de nós. Então, como diz Jesus: “Somos servos inúteis. Fizemos o que deveríamos ter feito”! (Cf Lc 17,10). Isso faz com que não fiquemos nos vangloriando daquilo que realizamos. Torna-nos mais humildes.

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Neste último Domingo do mês da Bíblia, mergulhemos com mais entusiasmo e paixão na leitura destes livros sagrados. Sempre, é claro, tendo consciência que precisamos atualizar e contextualizar a Palavra que rezamos, pois ela, mesmo sendo Palavra de Deus, foi escrita dentro de um contexto histórico.

Abençoado Domingo e uma semana de alegria e paz.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

14 de setembro de 2017

QUANTAS VEZES DEVO PERDOAR

Estimados irmãos e irmãs em Cristo. O Senhor nos concede a graça de mais uma vez nos aproximarmos da santa Eucaristia, presença real em nosso meio, e assim celebrarmos juntos, em comunidade, os mistérios da nossa Redenção.

Estamos no mês da Bíblia. É na Palavra de Deus que somos formados. Ela sempre nos orienta como devemos viver. Quais pensamentos e sentimos convém a nós. Ela nos mostra ainda por onde devemos andar. É uma Palavra que liberta, cura, salva, sacia, provoca, transforma.

A liturgia deste 24º Domingo do Tempo Comum retoma a dimensão do perdão. Primeiro aspecto que precisamos olhar é como nós quantificamos as coisas na nossa vida. Parece que tudo na nossa vida é número. Mas a vida não pode ser calculada, mas sim medida pela intensidade com que fazemos as coisas e a vivemos.

Mas isso não é só um problema dos tempos Pós-Modernos não. Os discípulos de Jesus, imersos no mundo de Israel e arredores, também pensam que podem medir a santidade pela quantidade das coisas que fazem. Pensam que podem comprar a salvação fazendo tantas e tantas vezes as coisas.

Na resposta que Jesus dá no Evangelho deste Domingo (Mt 18,21-35) Ele quer nos ensinar e mostrar que o perdão e todas as coisas boas, não podem ser contabilizadas pela quantidade de vezes. Mas que devem ser colocadas em práticas sempre que houver necessidade. Já imaginou se Deus fizesse isso conosco? Na vida você terá mil perdões! Pobrezinhos de nós. A misericórdia e a Redenção não teriam sentido.

Mas o fato de Deus nos perdoar sempre, não quer dizer que devemos viver uma vida totalmente desregrada. Não podemos brincar com a misericórdia de Deus e nem deixar para depois nosso processo de conversão.

A experiência com a misericórdia do Pai, deve fazer com que a coloquemos em prática. Não podemos fazer como o empregado que foi acertar contas com o rei. Foi perdoado porque suplicou, mas não foi capaz de perdoar o seu irmão. Este sim pensou que poderia brincar com Deus. Pensou que não precisava colocar em prática o perdão recebido.

A Leitura do Livro do Eclesiástico (27,33-28,9) também nos ajuda a compreendermos a importância do perdão. Ele precisa transpassar toda a nossa vida e as nossas atitudes. Quando não perdoamos, como podemos fazer a experiência do perdão e da misericórdia de Deus? Provavelmente é uma experiência externa e superficial. A Palavra ainda nos sugere para que “não guardemos rancor ao teu próximo”, pois todos somos filhos de Deus e como tais devemos viver. Os filhos devem manifestar aquilo que o Pai realiza.

Tudo isso porque, como nos diz São Paulo (Carta aos Romanos 14,7-9): “Ninguém dentre nós vive para si mesmo”. Vivemos para Cristo. Não podemos mandar na nossa vida. Ela pertence ao Senhor. Vivamo-la com seriedade e buscando a santidade.

Então, queridos irmãos e irmãs, fica mais uma vez este alerta e esta dica. Perdoar! Perdoar sempre! O perdão não pode ser medido! Nenhum gesto de caridade pode e deve ser medido. Eles devem ser realizações gratuitas de quem sente-se amado por Deus e quer compartilhar sua experiência.

Abençoado Domingo.
Pe. Hermes José Novakoski, PSDP.

6 de setembro de 2017

JORNADA DE ORAÇÃO PELO BRASIL



Semana da Pátria
1º a 07 de setembro de 2017
07 de setembro – dia da Pátria: Vida em primeiro lugar
“A paz é o nome de Deus” (Papa Francisco)

Diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, pedindo a bênção da paz para o Brasil.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Para construirmos a justiça e a paz, em nosso país, necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Nós cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos agentes da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso filho Jesus está no meio de nós, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Neste ano em que celebramos os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, queremos seguir o exemplo de Maria, permanecendo unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo.

Amém!
(Pai nosso! Ave, Maria! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!)

1 de setembro de 2017

LADAINHA DA DIVINA MISERICÓRDIA


LADAINHA DA DIVINA MISERICÓRDIA
O AMOR DE DEUS É A FLOR - E A MISERICÓRDIA O FRUTO

Que a alma que desconfia leia estes louvores da misericórdia e torne-se confiante.
Misericórdia Divina, que brota do seio do Pai, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, atributo máximo de Deus, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, mistério inefável, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, fonte que brota do mistério da Santíssima Trindade, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que nenhuma mente, nem humana nem angélica pode perscrutar,
eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, da qual provém toda a vida e felicidade, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, mais sublime do que os Céus, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, fonte de milagres e prodígios, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que envolve o universo todo, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que desce ao mundo na Pessoa do Verbo Encarnado, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que brotou da chaga aberta do Coração de Jesus, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, encerrada no Coração de Jesus para nós e sobretudo para os pecadores,
eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, imperscrutável na instituição da Eucaristia, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, na instituição da Santa Igreja, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, no sacramento do Santo Batismo, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, na nossa justificação por Jesus Cristo, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que nos acompanha por toda a vida, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que nos envolve de modo particular na hora da morte, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que nos concede a vida imortal, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que nos acompanha em todos os momentos da vida, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que nos defende do fogo do Inferno, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, na conversão dos pecadores endurecidos, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, enlevo para os anjos, inefável para os Santos, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, insondável em todos os mistérios divinos, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que nos eleva de toda miséria, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, fonte de nossa felicidade e alegria, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que do nada nos chama para a existência, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que abrange todas as obras das Suas mãos, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que coroa tudo que existe e que existirá, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, na qual todos somos imersos, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, doce consolo para os corações atormentados, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, única esperança dos desesperados, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, repouso dos corações, paz em meio ao terror, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, delícia e êxtase dos Santos, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que desperta a confiança onde não há esperança, eu confio em Vós.

ORAÇÃO: Ó Deus eterno, em quem a misericórdia é insondável e o tesouro da compaixão
é inesgotável, olhai propício para nós e multiplicai em nós a Vossa misericórdia,
para que não desesperemos nos momentos difíceis, nem esmoreçamos, mas nos submetamos com grande confiança à Vossa santa vontade, que é Amor e a própria Misericórdia" (Diário, 949).

31 de agosto de 2017

NÃO PENSAS AS COISAS DE DEUS

Estimados irmãos e irmãs. Louvado seja Deus pela sua Providência que nos faz chegar até este dia, no qual nos reunimos em seu amor para bendize-lo e louva-lo. Chegamos assim ao mês da Bíblia. Grande alegria a nossa em podermos refletir mais sobre a importância e o valor da Palavra de Deus em nossa vida. Este é o nosso tesouro, nosso testamento, nosso alimento diário que fortalece nossa fé, anima e orienta nosso caminhar.

Jesus está ensinando seus discípulos (Evangelho Mt 16,21-27) sobre o que iria acontecer com Ele em Jerusalém. Este ensinamento deixa-os assustados e também preocupados. Não seria diferente conosco se alguém próximo de nós viesse falando sobre a sua morte e da forma como Jesus falou.

Porém, os apóstolos, por estarem convivendo com Jesus a algum tempo, já deveriam estar entendendo que as consequências das atitudes de Jesus o levariam a cruz, assim como muitos naquele tempo.

Diante deste discurso Pedro toma a palavra em nome do grupo manifestando a indignação e o desejo que tal coisa não acontecesse com o Mestre. Acaba sendo repreendido por Jesus, pois seus pensamentos não estavam em Deus, mas presos aos seus sentimentos. Pedro e outros discípulos não estavam conseguindo ainda compreender claramente a missão de Jesus.

O Jesus que eles estavam seguindo faz-se conhecer mais e mais. Este Jesus será morto, mas ressuscitará. Porém, admitir a morte publicamente gerou incompreensão e espanto entre seus discípulos. O Mestre não queria iludir ninguém. Falava a verdade e que os que desejam estar com ele precisavam estar cientes do que aconteceria e que eles poderiam ter o mesmo fim. Por isso Ele fala para todos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua vida?”

Não adianta querer embelezar as coisas porque não dá certo. O Mestre é exigente. Ele não quer discípulos frágeis ou medrosos. Ele quer que os seus seguidores sejam capazes de dar a vida, como Ele fará. Sejam capazes de renunciar a si mesmos, tomar a cruz e caminhar.

Por isso, amados irmãos e irmãs, ser cristão não é coisa light. Jesus não quer gente com medo de gastar a vida pelo Reino. Assim como Ele não quer pessoas que vão até Ele só por interesse ou buscando benefícios. O que deseja é pessoas comprometidas com a sua causa e que estão dispostas e serem Evangelhos vivos, como pedia São João Calábria.

Sabemos que configurar-se com o Mestre, mudando nossa forma de pensar, compreender as coisas, não é um caminho fácil. Porém, como nos convida São Paulo (Rm 12,1-2), não devemos nos conformar, ou seja, adequar-se com as coisas do mundo, mas transformar a nossa forma de ver, fazer, pensar para que elas sejam de acordo com o que a Palavra de Deus nos ensina. Estamos no mundo não para sermos coniventes com as coisas que o mundo ensina, mas para vivermos os valores do Evangelho e assim transformar as coisas que não estão de acordo com o que Deus quer.

Precisamos vigiar sempre para que não aconteça ao contrário. Porque muitos cristãos e Católicos deixam-se levar por pensamentos que vão contra o que Jesus e a Igreja ensinam. Querer adaptar o Evangelho aos seus gostos, desejos e vontades.

Neste mês da Bíblia somos chamados a mergulhar ainda mais na riqueza e no mistério da Palavra de Deus. Ela tem o poder de nos transformar, renovar, curar, salvar. É uma Palavra que se torna vida na nossa vida.

Deus abençoe a nossa caminhada.

Saudações.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina providência!

25 de agosto de 2017

E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU

Seguimos nosso caminhar neste mês vocacional. Estamos no último Domingo do mês de agosto e nele a Igreja reza e celebra a vocação de todos os Leigos que assumem seu Batismo e o ser cristãos com determinação e responsabilidade.

A expressão leigo normalmente se usa para aqueles que não tem conhecimento a respeito de um determinado assunto. Mas na Igreja ela indica aqueles que não receberam o Sacramento da Ordem ou não se consagraram em um Instituto Religioso. Eles têm uma missão muito importante, como de qualquer outro cristão. Todas as vocações e todos os batizados tem sua importância na vida e na missão da Igreja.

É bom saber que os Leigos são cristãos que têm uma missão especial na Igreja e na sociedade. Pelo batismo, fonte de todas as vocações, receberam essa vocação que devem vivê-la intensamente a serviço do Reino de Deus.

Se por algum tempo na história da Igreja a missão do leigo não era muito valorizada, o Concílio Vaticano II resgatou a importância e o valor da mesma. Como todas as vocações nascem no coração amoroso do Pai, todos os chamados, leigos, sacerdotes, consagrados, são importantes, pois somos chamados a testemunharmos um só e mesmo amor.

“Os leigos são chamados a desempenhar diversas tarefas dentro da comunidade eclesial: Ministro da Eucaristia, catequista, agente das diferentes pastorais, serviço aos pobres e aos doentes. São chamados também a colaborar no governo paroquial e diocesano, participando de conselhos pastorais e econômicos. Não como simples colaboradores do bispo e dos padres, mas como membros ativos da comunidade, assumindo ministérios e serviços para o engrandecimento da Igreja de Cristo.

Apesar desses serviços que desempenham na comunidade eclesial, a missão mais importante dos leigos é no mundo. Eles são chamados a realizar sua missão dentro das realidades nas quais se encontra no dia-a-dia.

Na família, no trabalho, na escola, no mundo da política e da cultura, nos movimentos populares e sindicais, nos meios de comunicação, é chamado a testemunhar, pela palavra e pela vida, a mensagem de Jesus Cristo. Nessas realidades, é chamado a desempenhar sua missão, necessária e insubstituível.

Por isso o papel do leigo não é ficar o dia todo na igreja, mas ser fermento nesses campos de vida e de atuação, ser "sal da terra e luz do mundo". Nesses ambientes deve se empenhar para a construção efetiva do Reino de Deus, "um reino eterno e universal, reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz", como rezamos no prefácio da missa da festa de Cristo Rei.

O reino de Cristo cresce onde se manifesta a atitude de serviço, a doação generosa em prol dos irmãos, onde há o respeito pelos outros, onde se luta pela justiça e pela libertação. E tudo isso acontece de modo especial através da atuação dos cristãos leigos.

Quando os leigos assumem de fato sua missão específica, podemos sonhar com uma nova ordem social. O Concílio Vaticano II e os ensinamentos do papa insistem muito na necessidade de os leigos participarem ativamente na construção de uma nova sociedade, aperfeiçoando os bens criados e sanando os males. Felizmente, muitos têm entendido essa missão e se empenhado para bem cumpri-la.

Vemos com muita esperança o crescimento hoje da tomada de consciência por parte de muitos leigos que compreendem essa índole específica de sua missão. Acreditam nela e procuram exercê-la de modo digno e eficiente para que se faça cada vez mais concreta a promessa de Jesus: "O Reino de Deus está presente no meio de vós."

Devem participar da vida comunitária, buscando nas celebrações, sobretudo na Eucaristia, as forças de que necessitam para bem desempenhar sua missão na comunidade e no mundo.

Através dos leigos, a Igreja se faz presente nos diversos ambientes sociais, impregnando-os da mensagem de Jesus Cristo, semeando os valores evangélicos da solidariedade e da justiça, empenhando-se decisivamente na construção da sociedade justa, fraterna e solidária, sinal do Reino de Deus”¹.

É da experiência com o ressuscitado, assim como os discípulos, que nasce a inquietação para a missão de todos os batizados. Por isso, quem é Jesus para você? Qual experiência de Deus tens na tua vida? Ela deve se refletir na missão que realizas.

Deus seja louvado pelos leigos que incansavelmente trabalham pela construção do Reino de Deus. Que o vosso testemunho de santidade transforme todos os meios: políticos, sociais, econômicos, ecológicos, religiosos onde atuam.

Abençoado Domingo e uma semana cheia de alegria e paz.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

¹ Dom João Bosco Óliver de Faria - Administrador Diocesano de Patos de Minas e Arcebispo Eleito de Diamantina.

20 de agosto de 2017

ORAÇÃO PELA VIDA CONSAGRADA


Vem, Espírito Criador, com a graça multiforme,
iluminar, vivificar e santificar a tua Igreja!

Unida no louvor, ela Te agradece
o dom da Vida Consagrada, concedido e confirmado
na novidade dos carismas ao longo dos séculos.
Guiados pela tua luz e radicados no batismo,
homens e mulheres, atentos aos teus sinais na história,
enriqueceram a Igreja,
vivendo o Evangelho no seguimento de Cristo
casto e pobre, obediente, orante e missionário.

Vem, Espírito Santo, amor eterno do Pai e do Filho!

Pedimos-Te que conserves na fidelidade
todos os consagrados;
que eles vivam o primado de Deus nas realidades humanas,
a comunhão e o serviço entre as pessoas,
a santidade no espírito das bem-aventuranças.

Vem, Espírito Paráclito, amparo e consolação do teu povo!

Infunde nos consagrados a bem-aventurança dos pobres
para que caminhem na senda do Reino.
Dá-lhes um coração consolador
para que enxuguem as lágrimas dos últimos.
Ensina-lhes a força da mansidão
para que neles brilhe a Senhoria de Cristo.
Acende neles a profecia evangélica
para que abram caminhos de solidariedade
e saciem expectativas de justiça.
Derrama nos seus corações a tua misericórdia
para que sejam ministros de perdão e de ternura.
Reveste a sua vida com a tua paz
para que, nas encruzilhadas do mundo,
possam falar da bem-aventurança dos filhos de Deus.
Fortifica os seus corações nas adversidades e tribulações;
que eles se alegrem com a esperança do Reino futuro.
Associa à vitória do Cordeiro os que, por amor de Cristo
e do Evangelho, estão marcados com o selo do martírio.

Possa a Igreja, nestes seus filhos e filhas,
descobrir a pureza do Evangelho
e a alegria do anúncio que salva.
Maria, primeira discípula e missionária,
Virgem que Se fez Igreja,
interceda por nós.

Amém.
(Papa Francisco)

18 de agosto de 2017

A MINHA ALMA ENGRANDECE O SENHOR

A Igreja do Brasil celebra hoje a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Os filhos e filhas de Deus vem à Casa do Senhor para bendizer e louvar tudo o que Ele fez e continua fazendo na história da humanidade.

O Dogma da Assunção, definido solenemente pelo Papa Pio XII através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, no dia 1 de novembro de 1950, declarou que a Virgem Maria foi assunta à glória celestial em corpo e alma. A Virgem Imaculada, “preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi assunta de corpo e alma à glória celeste. E, para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores (cf. Ap 19, 16) e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo” (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 59).

O dogma da Assunção significa a glorificação em corpo e alma da Santíssima Virgem. Depois de sua vida terrena, a Mãe do Senhor encontra-se antecipadamente no estado escatológico dos justos na ressurreição final. Nesse sentido, a crença no dogma da Assunção enche de esperança o coração dos fiéis, pois une a dimensão antropológica, do sentido da existência humana, com o destino escatológico, com o fim último, da humanidade redimida pela cruz de Cristo.

Maria é modelo para todos os filhos de Deus que querem seguir o Mestre de modo perfeito. Ela viveu totalmente disponível para Deus. Por isso o Senhor realizou muitas maravilhas na sua vida. Através dela nos veio o maior de todos os presentes de Deus Pai: seu Filho, Jesus Cristo. Hoje nós somos chamados a levar Deus à todas as pessoas com quem nos encontramos. Levar do jeito de Maria. Levar com alegria, pois levamos o maior de todos os tesouros que a pessoa pode ter. Tesouro este que ninguém pode nos roubar.

Neste terceiro Domingo do mês vocacional a Igreja reza pela Vida Religiosa Consagrada. Assim como Maria, todos os consagrados e consagradas são chamados a viverem somente para Deus e a levarem Jesus a todos os irmãos, especialmente aqueles que não tem mais esperança.

Os religiosos/as devem louvar e bendizer a Deus assim como Maria, vivendo a consagração com alegria. Na Carta Circular aos Consagrados e Consagradas o Papa Francisco convidava os Consagrados/as a serem sinais da alegria: “queria dizer-vos uma palavra, e a palavra é alegria. Onde quer que haja consagrados, aí está a alegria!”

Os homens e mulheres que foram chamados a este modo de vida não podem vive-la tristes e sem esperança. Pois carregam em seus corações o maior de todos os tesouros: Jesus Cristo. E quem tem Jesus em seu coração, não pode viver triste, pois é contraditório. O próprio Senhor enche de alegria os que a Ele se consagram.

Os religiosos e religiosas não estão neste caminho porque são frustrados, mas porque querem viver o batismo na radicalidade, sendo Jesus, o único bem de que necessitam e dependem.

Louvamos e bendizemos ao Senhor por nos dar Maria como modelo de santidade e discipulado e pela Vida Religiosa Consagrada por ser sinal do amor de Jesus Cristo.

Abençoado Domingo e uma semana de muita paz!

Saudações.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

10 de agosto de 2017

“Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!”

Estimados irmãos e irmãs. Deus seja louvado pelas maravilhas que realiza na história. Neste segundo Domingo do mês vocacional a Igreja reza pela vocação familiar e celebra o dia dos pais.

Gostaria de convidar você mais uma vez a refletirmos, iluminados pela Palavra de Deus, sobre alguns valores que as famílias não podem abrir mão e que devem transmitir aos seus descentes. Os pais não podem se eximir das responsabilidades como primeiros educadores dos valores e da fé.

No Evangelho (Mateus 14,22-33) os discípulos estão em alto mar e a barca é agitado pelas ondas fortes. No meio desta agitação e insegurança vem o Mestre ao encontro deles.

Vamos pensar a barca como sendo nossas famílias. O mar é o mundo. As ondas contrárias são todas as situações que querem destruir nossas famílias. São muitos contra valores que atingem em cheio nossos lares e as vezes parece que vão fazer a barca afundar.

Os discípulos em um primeiro momento pensaram que era um fantasma que vinha em direção deles. Quando não temos uma visão clara de Deus e dos valores do Evangelho, pensamos o mesmo. Ficamos ainda mais apavorados porque pensamos que Deus nos abandonou. Somos nós que abandonamos Ele.

Nos momentos de provação, tem os Pedros da vida que querem provar a existência de Deus. Querem saber se realmente é Ele e por duvidarem afundam. Não é Deus que tem que dar provas da sua existência e do seu amor por nós. Mas somos nós que devemos fazer as coisas para agradá-lo. Alias, Ele já nos provou seu amor para conosco na Cruz.

Jesus percebe a pouca fé de Pedro e estende a mão para socorrê-lo. Nos momentos de dificuldade, quando tudo parece perdido; quando estamos afundando é o próprio Cristo que estende a sua mão e vem em nossa direção para nos socorrer pois Ele conhece as nossas fraquezas e o nosso coração.

Nossas famílias precisam cultivar e resgatar sempre a importância da oração. Os pais tem o dever de ensinar seus filhos a rezar. Infelizmente muitos se omitem nesta missão. Assim como Elias encontra o Senhor na brisa suave (1ª Leitura 1Rs 19,9a.11-13a) as famílias precisam do seu momento para estar com o Senhor a fim de escutar sua palavra e saber por onde caminhar.

Vemos o mundo mergulhado na vergonhosa corrupção e crescente sempre mais as forças do mal, como a violência, ódio, drogas etc. Precisamos fazer com que nossas crianças acreditem e construam, instruídos por nós, um mundo de mais justiça, paz, igualdade, respeito. Não podemos pensar que o mal é normal; que as coisas erradas se tornem certas. Valores não tem prazo de validade.

Que o Senhor abençoe a missão das nossas famílias para que sejam cada vez mais um santuário onde a vida possa se desenvolver em todos os aspectos.

Abençoado Domingo e Feliz dia aos pais. Deus abençoe todas as famílias.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

3 de agosto de 2017

ESTE É O MEU FILHO AMADO! ESCUTAI-O!

Estimados irmãos e irmãs. A Igreja no Brasil celebra agosto como o mês Vocacional. Oportunidade para refletirmos sobre a nossa vocação. Cada um recebeu de Deus um chamado e é convidado a responder com amor e determinação. Deus não aceita meias palavras, meia decisão. Ou sim, ou não! Quem diz sim, é feliz para sempre. Não podemos fugir do amor de Deus.

Quando Deus pensou em nós, quando Ele quis que nós nascêssemos, já pensou para nós um caminho de felicidade. Uma forma pela qual nós o servimos e demostramos seu amor para conosco. Por isso, não estamos aqui por um simples acaso. Estamos aqui por desígnio e determinação de Deus que nos ama e quer a nossa felicidade.

Hoje a Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor. Deus Pai apresenta Jesus como seu Filho amado, como aquele que cumpre fielmente a sua vontade e por isso lhe agrada. Jesus é aquele que deve ser escutado por todos, pois Ele nos revela a vontade do Pai, o sonho do Pai que é vida para todos construindo o seu Reino.

Jesus continua manifestando a sua glória através da Eucaristia e quando o buscamos de coração sincero. Ele vem ao nosso encontro, pois deseja que sejamos salvos pelo seu amor.

Neste primeiro Domingo rezamos pelos sacerdotes. Recordamos esta vocação singular na Igreja, pois todos os que recebem o grau da Ordem tem a missão ainda maior de amar a Jesus Cristo e de transmitir fielmente seus ensinamentos. Pelo poder o Espírito Santo o sacerdote pode consagrar e perdoar em nome de Deus, o que mais ninguém pode fazer. Isso tudo não por mérito destes homens pecadores, mas por graça e misericórdia de Deus.

O que seria do mundo sem a Eucaristia e o perdão? Haveria ainda mais trevas, tristeza, dor, angústia. Não saberíamos por onde caminhar e vacilaríamos com maior facilidade na fé. A Eucaristia é o alimento do céu, Jesus que se faz pão, para alimentar a nossa fé e nos fortalecer na caminhada. Só podemos ter Eucaristia onde tem sacerdote.

É por isso que a Igreja, todos os fieis que são a Igreja, devem rezar incessantemente pedindo mais sacerdotes santos. Devemos também agradecer a Deus por ter concedido esta vocação na sua Igreja e através da qual ajuda a santificar o mundo.

O poder que o sacerdote recebe, transmitido pela Igreja que o recebeu de Jesus Cristo, só pode ser exercido enquanto ele estiver em comunhão com a Igreja. Não é um poder que pode ser usado para qualquer coisa, mas para os fins pelos quais eles foram constituídos. O Espírito Santo continua acompanhando os seus servos para que eles sejam fieis.



Aproveito também para manifestar a alegria de ter sido chamado por Deus a esta vocação por sua misericórdia e não pelos meus méritos. Sou testemunho quanto o Senhor tem feito em mim e através de mim e isso me alegra. Pesa também a responsabilidade de corresponder com fidelidade a esta vocação, dom do Pai. Ai de mim se não corresponder. Quero viver sempre este chamado na alegria, pois em Deus não há tristeza.

Continuemos rezando pela santificação dos sacerdotes. Para que o amor de Cristo que nos amou, continue nos transfigurando e transfigurando o mundo.

Abençoado Domingo e uma semana de paz e alegria.

Saudações,
Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

27 de julho de 2017

O REINO DOS CÉUS É COMO UM TESOURO

Estimados irmãos e irmãs. Estamos no 17º Domingo do Tempo Comum e desejamos mais uma vez que as bênçãos de Deus estejam em nossa vida, em nossas famílias e em nossos corações. Com a sua graça generosa e santificante podemos viver melhor a nossa fé.

A Palavra de Deus deste Domingo nos faz pensar em primeiro lugar o que pedimos a Deus em nossas orações. O que você pode a Deus quando reza? Ainda nos ajudará a avaliarmos sobre o valor que damos para as coisas de Deus. Onde investimos a maior parte das nossas forças e energias. Deixemos que esta Palavra nos transforme.

Normalmente, em nossa oração, pedimos a Deus muitas coisas boas e bonitas, a partir do nosso ponto de vista. Queremos dinheiro, casa, carro, saúde, viagens etc. Coisas necessárias para nossa vida. Porém, a Palavra de Deus nos ensina que antes disso, devemos pedir a Deus, a exemplo de Salomão, a sabedoria. Sim, o nosso primeiro pedido a Deus deve ser sabedoria e santidade.

Vejamos a oração que Salomão dirige a Deus (1ª Leitura: 1Rs 3,5.7-12): “Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal”. E a resposta do Senhor a esta oração: “Já que não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti”.

Quem dera que a nossa oração fosse sempre assim. Pedir a Deus sabedoria para administrar bem o que Ele nos dá. Somente com a sabedoria divina conseguiremos viver bem, pois ela nos mostra o que nos convém e o que não nos convém, por onde devemos andar, como devemos viver, as decisões que devemos tomar. Não adiante ter muito e não saber administrar. E o que temos deve nos levar para Deus e não nos afastar dele.

Quando buscamos seguir com fidelidade, sua palavra nos dá a garantia (2ª Leitura: Rm 8,28-30) de que “tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus!” Verdade! Deus nos dá tudo o que precisamos para viver bem, porém nem sempre compreendemos o que Ele nos dá e queremos aquilo que satisfaça os nossos desejos.

Podemos nos perguntar: Por que buscar a Deus e sua Sabedoria? Porque ela é o maior tesouro que podemos ter. Sabemos que estamos aqui de passagem. Não ficaremos para sempre. Por isso não adianta se preocupar apenas com os bens materiais. Eles são importantes para nossa vida, mas não devem ser o centro dela. O foco sempre deve estar no amor de Deus e não em nós mesmos.

Pelo Reino de Deus, Reino dos Céus, como nos diz Jesus (Evangelho Mt 13,44-52) devemos ser capazes de deixar tudo, pois nada é mais importante. Quando nos encontramos com Jesus Cristo, devemos ter a capacidade de deixar tudo, renunciar a tudo, pois Ele é a nossa única riqueza. Quando Jesus não é o tesouro da nossa vida, teremos desejo das outras coisas. Estaremos focados apenas nos bens e não na sabedoria. Nossas orações serão sempre uma grande lista de pedidos intermináveis que nos cansam e dão a impressão de que Deus não nos ouve.

Vamos purificando a nossa fé porque somente assim saberemos e entenderemos o que nos convém e não faremos dos momentos de orações apenas petições para satisfazer nossos desejos, como crianças mimadas, mas um momento de intimidade com o Senhor e crescimento espiritual. Deus não é nossa babá e não podemos transformá-lo nisso. Ele nos dá tudo, contanto que busquemos a Ele de coração sincero deixando que nos conduza com a sua sabedoria.

O único tesouro pelo qual vale a pena investir tudo, é Jesus Cristo. Ninguém pode tirar Ele de nós. Não nos roubarão. Somente nós podemos afastá-lo do nosso coração. Por isso, não deixe Deus em segundo pleno na tua vida.

Que a Sabedoria do Senhor esteja sobre nós e nos conduza.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

26 de julho de 2017

A Fábula dos dois Lobos


A Fábula dos dois Lobos (dos índios Cherokee)
Certo dia, um jovem índio cherokee chegou perto de seu avô para pedir um conselho. Momentos antes, um de seus amigos havia cometido uma injustiça contra o jovem e, tomado pela raiva, o índio resolveu buscar os sábios conselhos daquele ancião.
O velho índio olhou fundo nos olhos de seu neto e disse:
“Eu também, meu neto, às vezes, sinto grande ódio daqueles que cometem injustiças sem sentir qualquer arrependimento pelo que fizeram. Mas o ódio corrói quem o sente, e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno, desejando que o inimigo morra.”
O jovem continuou olhando, surpreso, e o avô continuou:
“Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal a ninguém. Seu olhar é forte como alegria, esperança, serenidade, paz, humildade, empatia, bondade, generosidade, verdade, perdão, compaixão, harmonia e fé. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende. Ele só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira reta.”
“Mas o outro lobo é mau… Este é cheio de raiva. A coisa mais insignificante é capaz de provocar nele um terrível acesso de raiva. Ele briga com todos, o tempo todo, sem nenhum motivo. Seus dentes são fortes como raiva, inveja, ciúme, tristeza, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho, superioridade e ego.
Sua raiva e ódio são muito grandes, e por isso ele não mede as consequências de seus atos. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar nada.
Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito. ”
O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:
- “E qual deles vence? ”
- Ao que o avô sorriu e respondeu baixinho:
-“Aquele que eu alimento. ”
– Qual deles você alimenta?

21 de julho de 2017

O REINO DOS CÉUS É COMO...

Estimados irmãos e irmãs. Chegamos a mais um Domingo e nos alegramos ainda mais pois podemos celebrar juntos a nossa fé. A comunidade reunida em nome do Senhor celebra as maravilhas que Ele mesmo opera na história a fim de que sejamos mais santos.

O Evangelho (Mt 13,24-43) deste 16º Domingo do Tempo Comum por três vezes traz a expressão “O Reino dos Céus é como” dando a entender que ele está sempre em construção. Não é uma realizada acabada, mas ele vai sendo concretizado nas ações boas de cada dia que realizamos.

Na primeira e na segunda parábola que Jesus conta, Ele fala da ação do homem, ou seja, de cada pessoa, que é chamada a semear. Todos nós somos chamados a semear as sementes boas, pois as más o inimigo se encarrega de fazê-lo. É missão de todo o batizado semear as boas sementes que estão em nosso coração para que este mundo possa ver acontecer e crescer o Reino de Deus.

Muitos pais e educadores já se perguntaram? Por que meu filho (ou educando) não segue as coisas boas que eu ensinei? A resposta Jesus nos dá na Parábola: “enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou o joio no meio do trigo, e foi embora”. É isso mesmo que acontece, caros pais e educadores. Enquanto nós semeamos as sementes boas, o inimigo, e tantos que infelizmente servem a ele, semeiam as sementes ruins. O que devemos fazer? Arrancar os brotos das sementes ruins é a solução? Mais uma vez Jesus nos responde: “Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita”.

Ficamos chateados quando vemos que o joio parece crescer com mais força e vigor do que o trigo. Atitudes bruscas não irão resolver nada. Querer arrancar o joio repentinamente pode não ser o melhor caminho. Querer que nossos jovens, adolescentes renunciem as coisas erradas que aprendem de uma vez, nem sempre vai ser a melhor solução. Muitos se revolvam com isso e não querem mais nos escutar. Precisamos, assim como o Mestre nos orienta, saber o tempo certo da colheita e assim separar uma coisa da outra. Pode ser ainda que a própria pessoa se dê conta de que está no caminho errado e comece a arrancar o joio que foi semeado em seu coração. Quantas vezes vemos isso acontecer. Esse processo pode demorar algum tempo.

Convivemos entre estas duas forças que estão em constante tensão no mundo: o bem e o mal. O noticiário que diariamente escutamos dão a impressão que o mal está vencendo. Mas não é verdade. As pessoas que diariamente propagam somente estas notícias, são também em parte causadoras de todos esses males. Eles mesmos deixam-se usar pelos inimigos e nos tiram aparentemente as forças para lutarmos contra ele. Muitas telenovelas, filmes e programas de humor são escolas do demônio e para completar bombardeiam as notícias ruins para causar medo nas pessoas e tentar mostrar que de nada vale ser uma pessoa do bem. Vemos isso também no cenário político. Aparentemente muitos que roubam dinheiro público estão se dando bem. Mas não será sempre assim. A justiça humana pode ser manipulada, mas a divina não. De nada adianta ganhar o mundo, mas perder a vida.

Queridos irmãos e irmãs. Temos em nossas mãos a possibilidade de mudar tudo isso acreditando na força do bem, pois ela vem de Deus, e fazendo com que a mesma não perca a força de transformação que carrega em si mesma.

Você vê o processo que a semente faz para germinar e dar vida a uma nova planta? Depois de misturado a massa, o fermento aparentemente desaparece, mas não perde a sua força. Ele faz a massa levedar. Porém, precisa ser colocado na medida certa e a levedação não acontece em segundos. Tem que esperar. Quando adoças um café, consegues ver ainda o açúcar? Não! Mas sabes bem quando um café está doce ou não. Assim é a força do bem. Assim são as sementes do Reino que lançamos com o nosso testemunho e esforço diário de educar. Não as vemos crescer e talvez nunca as veremos produzir frutos. Mas tenha certeza, elas produzirão. Não cabe a nós determinar quando e como ela produzirá os frutos, mas ela produzirá, pois vem de Deus e o bem sempre vence o mal.

Quando semeamos uma semente boa num coração, colocamos aí a esperança que não tem prazo de validade. Estas sementes, as vezes sufocadas pelo joio, vão germinando e aos poucos produzirão seus frutos. Todo o mal, como diz Jesus, e aqueles que o propagam, serão eliminados no tempo de Deus.

Então, não vamos desanimar. Peçamos sempre ao Espírito Santo, que ora em nós e por nós (cf segunda leitura de Rm 8,26-27), para que nos dê forças, sabedoria, coragem para vencer todos os males e jamais deixar de acreditar no bem. Não podemos deixar que o inimigo tire de nós a esperança, a alegria de ser cristão, filho/a amado/a de Deus e as forças para continuarmos semeando.

O livro da Sabedoria (1ª Leitura de hoje 12,13.16-19) nos anima com esta certeza: “Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas”. E com o salmista (Salmo 85) exclamamos: “Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel”.

Na Palavra, na Eucaristia e na comunidade cristã reunida, encontramos as forças para vencer o mal. Não tenhamos medo, pois não estamos sozinhos. Eis que o Senhor está conosco todos os dias e conta com a nossa ajuda semeando sempre o bem, pois Ele nos fez bons e para o bem ungindo-nos com o seu Espírito Santo e nos consagrando para esta missão.

Abençoado Domingo e uma semana de muita semeadura!

Saudações.

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência.

13 de julho de 2017

O PODER DA PALAVRA DE DEUS

Queridos irmãos e irmãs. Eis-nos aqui rezando e refletindo a Palavra de Deus com o seu grande poder de realizar tudo aquilo que diz. Ela nos anima, consola, renova, desafia, transforma, santifica. Tem o poder de realizar tudo isso porque é Palavra de vida eterna, Palavra de Deus!

Na primeira Leitura do Livro do Profeta Isaías (55,10-11) o próprio Senhor diz: “assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”. Tudo o que o Senhor deseja, assim será, pois a sua Palavra é verdadeira e consacratória, como dizia São João Calábria, ou seja, realiza o que diz.

Esta Palavra, amados irmãos e irmãs, é semeada em nosso coração todos os dias quando a lemos e meditamos. Ela, como já dissemos, tem o poder de nos transformar tornando-nos cada dia melhores filhos e filhas de Deus. Nela encontramos as orientações para que a nossa vida seja vivida com mais sabedoria. Sábio é aquele que medita e vive a Palavra de Deus.

O Senhor está sempre com o coração aberto e fala para nós, pois Ele é Pai que deseja ensinar seus filhos a verdadeira sabedoria. Nosso coração precisa estar atento para colher esta Palavra, pois do contrário, ela não produzirá os frutos necessários. Isso Jesus nos ensina na Parábola narrado pelo evangelista Mateus (13,1-23).

A fala do Mestre inicia indicando ação que o Pai realiza nos terrenos dos corações dos seus filhos e filhas: “O semeador saiu para semear”. Ele continua semeando e semeia com generosidade mesmo sabendo que as vezes nós não acolheremos esta Palavra e não deixaremos que ela produza os frutos.

Como está o nosso coração? Temos cuidado dele para que não seja contaminado por tantas coisas negativas? As vezes fazemos do nosso coração uma lata de lixo, jogando para dentro dele tudo o que não presta. Deveríamos sempre guardar as coisas boas, aquilo que nos edifica, anima, encoraja, santifica. Deus não quer a tristeza e nem o desânimo dos seus filhos e filhas. Ao contrário, Ele deseja a nossa felicidade e o nosso bem. Ele tudo realiza para que nós sejamos alegres e realizados. Deus não nos colocou neste mundo para vivermos infelizes.

Sabemos que a nossa vida é feita de escolhas e as escolhas tem consequências concretas no dia a dia. Colhemos os frutos das nossas escolhas sejam elas certas ou erradas. Colhemos ainda os frutos das escolhas errôneas ou acuradas que o mundo faz, outras pessoas fazem, porque vivemos em comunhão com tudo e com todos e quando fazemos algo bom ou ruim isso repercute em nós mesmos e no mundo.

Por que escolhemos errado? Muito provavelmente erramos nas escolhas quando elas são feitas somente a partir do nosso ponto de vista ou embasadas em nossos sentimentos e desejos. Quando deixamos a Palavra de Deus em segundo plano. Quantas e quantas vezes escolhemos as coisas erradas mesmo sabendo que elas estão erradas porque damos ouvido ao nosso egoísmo. Depois reclamamos das consequências.

Exemplos de escolhas erradas. A Palavra nos ensina a perdoar. Rezamos para que Deus nos perdoe assim como nós perdoamos... Mesmo assim ainda guardamos ódio, rancor, raiva das pessoas. A Palavra diz que Deus é amor e quem permanece no amor em Deus permanece e Deus permanece nele. Ainda assim amamos geralmente aqueles que nos agradam, que fazem o que queremos e como queremos. Aprendemos da Palavra que devemos partilhar. A falta de partilha gera exclusão, miséria, sofrimento. Sabemos, mas as vezes não fazemos. Assim poderíamos enumerar muitos outros exemplos.

Preparemos bem o nosso coração para que saiba acolher a Palavra com alegria e deixar que ela produza todos os frutos de que necessitamos para viver melhor a nossa fé. Tiremos as pedras que deixam nosso coração duro e sem vida; os espinhos que sufocam a Palavra. Peçamos a cura do desinteresse pela Palavra, assim como aqueles que permanecem na beira do caminho, sem querer caminhar e se comprometer com a vida, com as coisas de Deus. As vezes queremos uma fé sem compromisso e um Deus que tudo faz por nós, como se Ele fosse nosso escravo.

Que a Palavra de Deus permaneça em nossos lábios, em nosso coração e em nossa mente. Amém!

Deus abençoe a todos nós!

Saudações

Pe. Hermes José Novakoski
Pobre Servo da Divina Providência

8 de julho de 2017

37 anos da visita do Papa João Paulo II

VIAGEM APOSTÓLICA DO SANTO PADRE AO BRASIL
(30 DE JUNHO - 12 DE JULHO DE 1980)

VISITA DO PAPA JOÃO PAULO II
AO LEPROSÁRIO DE MARITUBA

Belém (Pará), 8 de Julho de 1980

Queridos filhos

1. Desde que anunciei minha viagem ao Brasil e durante a preparação desta viagem, recebi de várias Colônias de hansenianos deste País um bom número de cartas convidando-me para uma visita. Deus sabe quanto gostaria de fazê-lo. Vindo aqui a Marituba, encontrando-vos e saudando-vos com afeto de pai, é como se visitasse nesta hora todas as colônias dos hansenianos do Brasil. Chegue a eles minha palavra para dizer-lhes quanto os estimo, quanto penso neles e rezo por eles.

Bendito seja Deus que nos concede a graça deste encontro. de fato uma graça para mim poder, como o Senhor Jesus de Quem sou ministro e representante, ir ao encontro dos pobres e doentes pelos quais Ele teve verdadeira predileção. Não posso, como Ele, curar os males do corpo mas Ele me dará, por sua bondade, a capacidade de dar algum alívio aos espíritos e corações. Neste sentido desejo que este encontro seja uma graça para vós também. em nome de Jesus que estamos aqui reunidos: que Ele esteja no meio de nós como prometeu (cf. Mt 18, 20).

2. Encontrando-se pela primeira vez e desejando fazer amizade as pessoas costumam apresentar-se. Será que preciso fazê-lo? Já sabeis o meu nome e tendes uma porção de informações sobre a minha pessoa. Mas já que pretendo fazer amizade convosco, faço a minha apresentação: venho a vós como missionário mandado pelo Pai e por Jesus para continuar a anunciar o Reino de Deus que começa neste mundo mas só se realiza na eternidade, para consolidar a fé de meus irmãos, para criar uma profunda comunhão entre todos os filhos da mesma Igreja. Venho como ministro e indigno Vigário de Cristo para velar sobre a sua Igreja; como humilde sucessor do Apóstolo Pedro, Bispo de Roma e Pastor da Igreja Universal.

A Simão Pedro, apesar de fraco e pecador como toda criatura humana, o Senhor Jesus havia declarado em um momento solene que sobre ele como sobre uma Rocha firme haveria de construir a Igreja (Mt 16, 18). Prometeu-lhe também as chaves do Reino com a garantia de que seria ligado ou desligado no céu tudo quanto ele ligasse ou desligasse na terra (cf.Mt 16, 19). Já para voltar ao Pai é ainda a Pedro que ele dirá: “Apascenta minhas ovelhas, apascenta meus cordeiros”(cf. Jo 21, 15ss). Venho como sucessor de Pedro: herdeiro da misteriosa e indescritível autoridade espiritual que lhe foi conferida, mas também da tremenda responsabilidade a ele atribuída. Como Pedro aceitei ser Pastor universal da Igreja desejoso de conhecer, amar, servir todos os membros do rebanho a mim confiado. Aqui estou para conhecer-vos. Devo dizer que é grande o meu afeto por todos e cada um. Estou certo de poder servir-vos de alguma maneira.

3. E vós, quem sois? Para mim sois antes de tudo pessoas humanas ricas de uma dignidade imensa que a condição de pessoa vos dá, ricos cada um da fisionomia pessoal, única e irrepetível com que Deus o fez. Sois pessoas resgatadas pelo sangue daquele a Quem gosto de chamar, como fiz em minha carta escrita à Igreja inteira e ao mundo: o “Redentor do homem”.

Sois filhos de Deus, por Ele conhecidos e amados. Sois já e sereis de agora em diante para sempre meus amigos, amigos muito caros. Como a amigos gostaria de deixar-lhes uma mensagem por ocasião deste encontro que a Providência divina me permite ter convosco.

4. Minha primeira palavra só pode ser de conforto e de esperança. Bem sei que, sob o peso da doença, temos todos a tentação do abatimento. Não é raro perguntar-nos com tristeza: por que esta enfermidade? Que mal fiz eu para recebê-la? Um olhar a Jesus Cristo na sua vida terrena e um olhar de fé, à luz de Jesus Cristo sobre a nossa própria situação, muda nossa maneira de pensar. Cristo Filho de Deus inocente conheceu na própria carne o sofrimento. A Paixão, a Cruz, a morte na cruz o provaram duramente: como anunciara o Profeta Isaías, Ele ficou desfigurado, sem aparência humana (Is 53, 2). Ele não velou nem escondeu seu sofrimento, antes, quando esse era mais atroz pediu ao Pai que afastasse o cálice (cf. Mt 26, 39). Mas uma palavra revelava o fundo do seu coração: “Não se faça a minha vontade mas a Tua!”(Lc 22, 42). O Evangelho e todo o Novo Testamento nos dizem que assim acolhida e vivida a Cruz se tornou redentora.

Não é diverso em nossa vida. A doença é na verdade uma cruz, cruz por vezes bem pesada, provação que Deus permite na vida de uma pessoa, dentro do mistério insondável de um desígnio que foge à nossa capacidade de compreensão. Mas não deve ser olhada como uma fatalidade cega. Nem é forçosamente e em si mesma uma punição. Não é algo que aniquila sem deixar nada de positivo. Ao contrário, ainda quando pesa sobre o corpo, a cruz da doença carregada em comunhão com a de Cristo se torna também fonte de salvação, de vida ou de ressurreição para o próprio doente e para os outros, para a humanidade inteira. Como o Apóstolo Paulo, vós também podeis dizer que completais no vosso corpo aquilo que falta à Paixão de Cristo em benefício da Igreja (cf. Col 1, 24).

Estou certo de que, vista sob essa luz, a doença, mesmo dolorosa e humanamente mortificante, traz consigo sementes de esperança e motivo de reconforto.

5. Minha segunda palavra é um pedido mas ainda mais um convite e um estímulo: não vos isoleis por motivo de vossa enfermidade. Todos aqueles que com dedicação, amor e competência se interessam por vós, talvez até consagrando-vos todo o seu talento, tempo e energias, insistem que nada é melhor do que sentir-vos profundamente inseridos na comunidade dos outros irmãos e não cortados dela. A esses irmãos nós dizemos com a força da convicção: procurai conhecer vossos irmãos hansenianos, ficai próximos a eles, acolhei-os, colaborai com eles, acolhei e procurai sua colaboração. Mas a vós devemos dizer: não recuseis por qualquer motivo inserir-vos no ambiente que vos circunda e que se abre a vós. Senti-vos membros em maior plenitude possível da comunidade humana que cada vez mais toma consciência de que precisa de vós como precisa de cada um de seus membros.

A esta comunidade podeis oferecer, no plano humano, a contribuição dos dons que recebestes de Deus. Dentro dos limites naturais é bastante amplo e variado o campo dessa possível colaboração. No plano sobrenatural que é o da graça, quis recordar-vos há pouco que, em comunhão com o mistério da Cruz de Cristo, a cruz de vossa doença se torna manancial de graças, de vida e de salvação. Seria pena desperdiçar por qualquer motivo este manancial de graças de Deus. Que ele sirva para muitos, sobretudo para a Igreja. Estando na Amazônia onde é intenso e frutuoso o trabalho missionário cujos frutos vós mesmos recebeis, me atreveria a pedir: fazei de vossa condição de doentes um gesto missionário de imenso alcance transformando-a em fonte da qual os missionários podem haurir energias espirituais para seu trabalho.

6. Minha terceira palavra é de confiança: o Papa, junto com toda a Igreja vos estima e vos ama. O Papa assume diante de vós e convosco o compromisso de fazer tudo quanto puder por vós e em vosso favor. O Papa, embora partindo para novas tarefas no quadro desta visita e de sua exigente missão, permanece espiritualmente convosco: queira o querido irmão Dom Aristides Pirovano, vosso grande amigo, queiram os médicos, enfermeiros, assistentes que aqui se devotam, ser os representantes do Papa junto de vós fazendo tudo o que ele faria e como ele faria se pudesse aqui permanecer. Por minha vez quero contar convosco: como peço a ajuda das orações dos monges e monjas e de tantas pessoas santas para que o Espírito Santo inspire e dê forças ao meu ministério pontifical, assim peço também a ajuda preciosa que pode vir da oferta de vossos sofrimentos e de vossa doença. Que esta oferta se una às vossas orações, melhor ainda se transformem em oração por mim, por meus diretos colaboradores, por todos os que me confiam suas aflições e penas, suas necessidades e intenções.

Mas porque não começar logo esta oração?

Senhor, com a Fé que nos destes, vos confessamos
Deus todo poderoso, nosso Criador e Pai providente,
Deus de esperança, em Jesus Cristo, nosso Salvador,
Deus de amor, no Espírito Santo, nosso Consolador!

Senhor confiantes nas vossas promessas que não passam,
queremos vir sempre a Vós, buscar alívio na dor.
Contudo, discípulos de Jesus, não se faca como queremos.
Faça-se a vossa vontade, em todo o nosso viver!

Senhor, agradecidos pela predileção de Cristo
pelos hansenianos que tiveram a dita de O contatar,
vendo-nos neles... vos agradecemos também os favores
em tudo o que nos ajuda, alivia e conforta:
vos agradecemos pela medicina e pelos médicos,
pela assistência e pelos enfermeiros, pelas condições de vida,
pelos que nos consolam e por nós são consolados,
pelos que nos compreendem e aceitam, e pelos outros.

Senhor, concedei-nos paciência, serenidade e coragem;
concedei-nos viver uma caridade alegre, por vosso amor,
para com quem sofre mais do que nós e para com outros que,
não sofrendo, não têm esclarecido o sentido da vida.

Senhor, queremos que nossa vida possa ser útil, servir:
para louvar, agradecer, reparar e impetrar, com Cristo,
pelos que vos adoram e pelos que não vos adoram, no mundo,
e pela vossa Igreja, espalhada por toda a terra.

Senhor, pelos méritos infinitos de Cristo, na Cruz,
“Servo sofredor” e Irmão nosso, ao qual nos unimos,
vos pedimos por nossas famílias, amigos e benfeitores,
pelo bom resultado da visita do Papa e pelo Brasil. Amém.